
Cidade da Praia, 10 Jun (Inforpress)- O Governo atribuiu uma pensão de Estado ao artista Carlos Alberto Pereira Lopes, conhecido por “Bino Branco”, no valor mensal de 75 mil escudos pelo reconhecimento do serviço prestado à cultura nacional.
A medida consta da Resolução n.º 89/2026, de 10 Junho, publicada no Boletim Oficial n.º 69, I Série, e representa um acto de justiça social, solidariedade nacional e reconhecimento institucional a um artista que dedicou a sua vida à promoção da cultura cabo-verdiana e que neste momento particularmente difícil, necessita de amparo do país que tão dignamente representou.
De acordo com o diploma, Bino Branco está a enfrentar uma “grave doença oncológica”, encontra-se desde 2025 em tratamento nos Estados Unidos da América, e perante o seu estado de saúde, está impossibilitado de exercer a sua actividade profissional e artística, principal fonte de sustento ao longo da sua vida.
Esta situação resultou numa redução total da sua capacidade financeira e na impossibilidade de gerar rendimentos para fazer face às despesas inerentes ao tratamento médico, à sua subsistência e ao bem-estar da sua família.
Perante esta realidade, considera-se plenamente justificada a atribuição de uma pensão especial ou um apoio social extraordinário por parte do Estado não apenas pela actual condição de saúde e vulnerabilidade económica, mas também pelo reconhecimento prestados à cultura nacional e a contribuição “inestimável” que deu à valorização e divulgação da identidade cabo-verdiana ao longo da sua carreira.
Intérprete, compositor e instrumentista cabo-verdiano, Bino Branco é reconhecido como “uma das figuras mais importantes” do funaná contemporâneo e a sua carreira está intimamente ligada ao grupo Ferro Gaita, do qual é membro fundador e um dos principais vocalistas.
Nascido em Cabo Verde, tornou-se conhecido pela sua voz marcante e pela execução do ferrinho (ou ferro), instrumento tradicional que, juntamente com a gaita (acordeão diatónico), constitui a base sonora do funaná.
A sua imagem tornou-se tão associada ao instrumento que é frequentemente utilizada como referência quando se fala do ferrinho na música cabo-verdiana.
Participou em diversos grupos musicais juvenis, sendo o mais conhecido o Grupo Djassy, onde era o vocalista principal, após a dissolução em 1991, o mesmo foi viver na ilha Brava, onde era presença assídua nas noites cabo-verdianas.
Em 1996, juntou-se a Estevão Tavares e outros músicos onde criaram o grupo Ferro Gaita cujo objectivo era recuperar a sonoridade tradicional do funaná, devolvendo protagonismo ao ferrinho e à gaita numa época em que os teclados dominavam o género.
O primeiro álbum “Fundu Baxu” foi lançado em 1997, tornou-se um enorme sucesso em Cabo Verde e na diáspora cabo-verdiana, marcando o início de uma verdadeira revitalização do funaná tradicional.
Ao longo de mais de três décadas de carreira, Bino Branco ajudou a transformar o Ferro Gaita “numa das bandas mais influentes” da história da música cabo-verdiana.
O grupo realizou digressões internacionais pela Europa, África e América, levando o funaná a novos públicos e contribuindo para a valorização da identidade cultural cabo-verdiana.
O mesmo gravou sete álbuns originais com o grupo Ferro Gaita, participou em colaborações com diversos artistas cabo-verdianos, gravou um álbum a solo e continuou a promover os ritmos tradicionais de Santiago.
AV/ZS
Inforpress/Fim
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