
Cidade da Praia, 31 Ago (Inforpress) - A Fundação Garah iniciou hoje, na cidade da Praia, uma formação destinada a 20 pessoas em processo de recuperação de dependências, com foco na liderança comunitária, gestão emocional, comunicação e prevenção do consumo de drogas.
A iniciativa, que decorre até 04 de Setembro, pretende dotar os participantes de competências para intervirem nas comunidades e apoiar acções de sensibilização, sobretudo junto de jovens em situação de vulnerabilidade.
Na ocasião, o ministro da Justiça, Clóvis da Silva, apontou os participantes como parceiros do Estado na prevenção criminal, por possuírem uma experiência de vida que, segundo o governante, não pode ser substituída apenas por conhecimentos transmitidos numa formação.
“Por mais que capacitemos as pessoas, nós nunca conseguiremos passar uma experiência adquirida que essas pessoas têm”, afirmou.
Para o ministro, os participantes podem assumir um papel de liderança nas comunidades, ajudando a identificar jovens em risco e intervindo junto deles a partir da própria experiência de recuperação.
Clóvis da Silva referiu que esta abordagem pode contribuir para uma intervenção preventiva mais precoce, nomeadamente junto de crianças e jovens que começam a ter contacto com drogas em idades muito baixas.
A formação também colocou em evidência a necessidade de uma resposta diferenciada para as mulheres em situação de dependência.
Miriam Soares, única mulher participante, questionou o ministro sobre as medidas previstas para este grupo, apontando o estigma social e a falta de espaços específicos de acompanhamento como alguns dos obstáculos enfrentados pelas mulheres.
A participante sugeriu a criação de grupos de mulheres em recuperação, considerando que existem questões relacionadas com a intimidade e experiências pessoais que podem ser mais facilmente abordadas num espaço exclusivamente feminino.
Em resposta, Clóvis da Silva reconheceu a complexidade particular da dependência nas mulheres e defendeu a necessidade de desenvolver uma abordagem específica.
Segundo o ministro, factores como a exploração, o estigma social e as responsabilidades familiares podem dificultar o processo de recuperação e reinserção.
O governante considerou, por isso, necessário criar mecanismos que permitam identificar e acompanhar melhor as mulheres em situação de dependência, de forma a facilitar o acesso à recuperação e à reinserção social.
Por seu turno, presidente da Fundação Garah, Ga da Lomba, enquadrou a formação como um reforço de um trabalho que a organização já desenvolve com pessoas e jovens em situação de vulnerabilidade.
Gá da Lomba sublinhou que os participantes são, simultaneamente, beneficiários da formação e pessoas que podem contribuir para a prevenção, através da experiência que adquiriram ao longo dos seus próprios percursos.
A mesma fonte argumentou ainda uma actuação conjunta entre Estado, sociedade civil, empresários e famílias, considerando que a prevenção e a reinserção exigem uma resposta articulada.
KF/AA
Inforpress/Fim
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