
Paris, 07 Abr (Inforpress) – A França criticou hoje o Presidente norte-americano, Donald Trump, por ameaçar destruir infraestruturas civis no Irão e avisou que tais ataques, se ocorressem, poderiam desencadear represálias de Teerão que agravariam “uma situação já preocupante”.
O Governo francês opõe-se “a todos os ataques a infraestruturas civis” no Médio Oriente, tal como se opôs na Ucrânia, em cujo conflito “condenou em inúmeras ocasiões” as decisões do Presidente russo, Vladimir Putin, disse o chefe da diplomacia francesa.
Jean-Noël Barrot lembrou numa entrevista ao canal France Info que a guerra no Irão já teve como consequência uma subida global dos preços dos combustíveis.
“Se as infraestruturas energéticas fossem atacadas, seriam de esperar represálias do regime iraniano que agravariam uma situação que já é preocupante”, advertiu, citado pela agência de notícias espanhola EFE.
Barrot alertou para o risco para “a população civil, por um lado, mas também para a economia mundial, de que se produza um incêndio regional sem limites”.
Tal situação “acarretaria grandes riscos que temos de evitar a qualquer preço”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros francês.
Donald Trump ameaçou na segunda-feira destruir em quatro horas todas as pontes e centrais elétricas iranianas se Teerão não aceitar, até ao fim do dia de hoje, negociar um cessar-fogo.
Trump disse mesmo que os Estados Unidos tinham poder bélico para destruir o Irão numa única noite e que isso poderia acontecer já hoje, afirmando não se preocupar se forem cometidos crimes de guerra no país asiático.
Os Estados Unidos e Israel iniciaram em 28 de fevereiro uma ofensiva militar de grande escala contra o Irão, que respondeu com ataques contra território israelita e interesses norte-americanos nos países da região.
A guerra iniciada pela ofensiva israelo-americana terá causado mais de três mil mortos, maioritariamente no Irão e no Líbano, segundo fontes oficiais nos países atingidos.
Além de rejeitar eventuais ataques a infraestruturas civis no Irão, Barrot reiterou a ideia de que uma solução para o conflito passará necessariamente por “grandes concessões” por parte do regime de Teerão.
O chefe da diplomacia francesa defendeu que a República Islâmica terá de fazer “uma mudança radical” da sua posição na região e perante a própria população do Irão.
Numa outra mensagem para os Estados Unidos, Barrot preveniu que uma eventual operação militar terrestre no Irão faria o conflito entrar “numa nova fase particularmente perigosa”.
Uma operação militar terrestre “traria recordações dolorosas, as do Iraque e as do Afeganistão, que não resultaram em sucessos militares ou táticos”, afirmou.
O ministro reafirmou que a França apoia as discussões que os Estados Unidos mantêm com o Irão através de mediadores regionais, em vez da lógica belicista.
As discussões “são preferíveis a uma escalada que afetaria os nossos próprios interesses, com consequências para a economia mundial”, considerou.
Quanto à iniciativa franco-britânica para organizar escoltas de navios pelo Estreito de Ormuz quando cessarem as hostilidades, recordou que se está a trabalhar para reunir países que queiram participar na “aceleração do restabelecimento do tráfego”.
O objetivo é criar as condições para que se possa “baixar o mais rapidamente possível a pressão sobre o preço dos hidrocarbonetos”, acrescentou.
Na sequência da guerra, o estreito por onde passa cerca de um quinto do comércio de hidrocarbonetos está praticamente bloqueado pelo Irão, o que contribuiu para as subidas dos preços de combustíveis a nível global.
Trump tem criticado a França e outros aliados da NATO por terem recusado participar em operações de segurança no Estreito de Ormuz, chegando mesmo a ameaçar retirar os Estados Unidos da Aliança Atlântica.
Inforpress/Lusa
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