
São Filipe, 07 Out (Inforpress) - Cerca de 100 representantes das comunidades piscatórias de todas as nove ilhas habitadas de Cabo Verde estão reunidos na ilha do Fogo para participar da mesa redonda organizada como pré-evento da IV Conferência da Década do Oceano.
A iniciativa, promovida pela Presidência da República em parceria com a Associação Projecto Vitó e com o apoio da organização Blue Ventures, tem como objectivo debater os desafios da pesca artesanal e traçar estratégias para o seu desenvolvimento sustentável.
Representando o Presidente da República, o Chefe da Casa Civil, Avelino Bonifácio, destacou a importância simbólica e estratégica deste encontro.
“O Presidente da República teria muito gosto em estar presente, mas devido à sua agenda, não pôde comparecer”, disse Avelino Bonifácio que transmitiu aos participantes a importância que o PR atribui a esta iniciativa, que reúne representantes de todas as comunidades piscatórias das ilhas habitadas para discutir o futuro do mar e do oceano, que representam cerca de 200 vezes mais que a terra.
Avelino Bonifácio lembrou que, embora Cabo Verde não possua grandes recursos minerais no subsolo, possui uma vasta riqueza marinha que não pode ser ignorada.
“Foi por isso que a Presidência da República assumiu o compromisso com a Década das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável do Oceano (2021–2030), realizando anualmente conferências sobre o tema e esta é já a quarta conferência em menos de quatro anos”, reforçou.
O representante presidencial sublinhou ainda que a sustentabilidade do mar vai muito além da protecção ambiental, “não se trata apenas de evitar que o plástico chegue ao mar. A sustentabilidade tem também um pilar económico essencial para os homens e mulheres que dependem directamente do mar para viver”.
Entre as preocupações destacadas estão a necessidade de proteger a pesca artesanal das ameaças da pesca industrial, que muitas vezes, segundo o mesmo, deixa os pescadores artesanais sem recursos e por isso defendeu a regulamentação e a fiscalização eficaz da actividade pesqueira, sobretudo no que toca ao impacto ambiental das embarcações industriais.
O encontro também deve servir para reforçar a união entre pescadores e peixeiras, promover o intercâmbio de experiências e consolidar estruturas organizadas em cada comunidade.
“Unidos, são sempre mais fortes. Divididos, outros podem aproveitar-se dessa desunião”, frisou Avelino Bonifácio, apelando à união das comunidades em defesa dos seus interesses.
Esta edição da conferência é considerada a mais descentralizada até agora, tendo como foco as ilhas do Fogo e da Brava de modo a promover as duas ilhas e os seus recursos.
O director executivo da Associação Projecto Vitó, Herculano Dinis, explicou que a mesa redonda foi organizada em articulação com a Presidência da República, como resposta a um desafio lançado para envolver todas as ilhas num debate profundo sobre a realidade da pesca artesanal.
“É uma oportunidade única para debatermos de forma alargada os problemas que enfrentamos e traçarmos estratégias comuns. A nossa principal expectativa é reforçar a equipa de Guardiões do Mar nas ilhas do Fogo e da Brava e fortalecer as associações e cooperativas locais”, afirmou.
Herculano Dinis agradeceu o apoio da Blue Ventures e o empenho de todas as comunidades envolvidas, garantindo que o Projecto Vitó fará tudo ao seu alcance para que a estadia dos participantes seja a mais proveitosa possível.
A mesa redonda, que antecede a IV Conferência da Década do Oceano, representa um marco na mobilização das comunidades piscatórias e reforça o compromisso nacional com a gestão sustentável dos recursos marinhos, um dos pilares centrais da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.
JR/ZS
Inforpress/Fim
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