
Cidade da Praia, 07 Abr (Inforpress) - Um estudo científico realizado no Hospital Universitário Agostinho Neto (HUAN) revelou que 26 % das mulheres diagnosticadas com cancro da mama em Cabo Verde apresentam mutações genéticas hereditárias, uma percentagem superior à média internacional.
Os dados foram apresentados hoje, na cidade da Praia, pela investigadora Pamela Borges, à margem do acto central do Dia Mundial da Saúde, e estão incluídos no estudo “Cancro da mama em Cabo Verde: 24 anos de evidência científica para uma abordagem personalizada e acção em saúde”.
Segundo a investigadora, o trabalho foi desenvolvido ao longo de cinco anos e teve como principal objectivo caracterizar o cancro da mama no país, analisando aspectos clínicos, sociais e moleculares, de forma a produzir informações que possam apoiar a definição de políticas públicas na área da saúde.
De acordo com os resultados, o cancro da mama é actualmente o segundo mais frequente em Cabo Verde e o primeiro entre as mulheres.
Em média, o país registra entre 60 e 70 novos casos por ano.
O estudo mostra ainda que a idade média de diagnóstico nas mulheres é de 52,1 anos.
Nos homens, que também apresentam casos, embora em número reduzido, a média é de 70 anos, sendo que a ilha de Santiago concentra o maior número de diagnósticos.
Sobre as características da doença, o subtipo mais comum é o luminal, geralmente associado a melhor prognóstico, mas, no entanto, foi também identificada uma percentagem significativa de casos do subtipo triplo negativo, considerado “mais agressivo”.
A investigação revelou que 26 % das mulheres analisadas em Cabo Verde apresentam mutações hereditárias nos genes BRCA1 e BRCA2, que aumentam significativamente o risco de cancro da mama e do ovário, pois estes genes são considerados essenciais para a reparação do ADN e protecção contra tumores.
Ao comparar com dados da European Society for Medical Oncology, que indicam uma prevalência entre 10 % e 15 % na Europa, Cabo Verde apresenta um valor mais elevado.
A investigadora explicou que esta situação pode estar relacionada com a condição arquipelágica do país e com a existência de consanguinidade em alguns contextos familiares, defendendo o reforço do rastreio genético e do aconselhamento familiar.
O estudo integra o processo de implementação do Laboratório de Biologia Molecular de Cabo Verde, iniciado em 2021, reforçando a aposta na oncologia personalizada.
Entre as recomendações, Pamela Borges aponta o fortalecimento da prevenção, a realização de testes genéticos em familiares de pacientes com mutações identificadas e o desenvolvimento de capacidade local para análises genéticas.
A investigadora assegurou que todos os dados apresentados já foram publicados em revistas científicas internacionais.
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Inforpress/Fim
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