Especialista da OCDE diz que combate à desinformação deve ter uma abordagem holística

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Especialista da OCDE diz que combate à desinformação deve ter uma abordagem holística
21/09/25 - 09:33 am

Lisboa, 21 Set (Inforpress) - A vice-diretora de Ciência, Tecnologia e Inovação da OCDE Audrey Plonk defende, em entrevista à Lusa, uma abordagem holística no combate à desinformação, nomeadamente as criadas por IA, apontando a importância do impacto nas competências e literacia.

Questionada sobre como se mitiga o impacto das 'deepfakes' criadas por inteligência artificial (IA), a responsável da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) refere que, pelo trabalho empírico realizado, "uma grande forma (...) é através da literacia e das competências digitais".

"Há formas tecnológicas que as pessoas estão a utilizar para lidar com os problemas das 'deepfakes' e isso também é muito importante", prossegue Audrey Plonk, que foi uma das principais oradoras da conferência da Anacom sobre os desafios da inovação e da regulação da inteligência artificial (IA), que decorreu sexta-feira, em Lisboa.

Agora, "os nossos sistemas jurídicos terão de se adaptar a esta realidade. Ao mesmo tempo, a nível humano, sabemos que precisamos de formar as pessoas para utilizarem a tecnologia", sublinha.

"Através do trabalho empírico que realizamos, verificamos que as competências básicas de matemática e literacia são essenciais" e os países têm "formas diferentes" de o implementar", diz Audrey Plonk, que é uma das duas responsáveis da direção da Ciência, Tecnologia e Inovação da OCDE.

Agora, se "vamos abordar as questões de segurança de forma mais ampla, o que consideramos questões de segurança, sejam 'deepfakes' ou proteção das crianças, proteção da liberdade de expressão ou qualquer outra coisa, as pessoas precisam de ser trazidas juntamente com a tecnologia para compreenderem com o que estão a lidar", aponta.

Depois, "os reguladores precisam de encontrar ferramentas e mecanismos para, a nível tecnológico, compreenderem com o que estão a lidar".

"Vemos muita atividade regulatória ou política especificamente no espaço das 'deepfakes, principalmente por causa da forma como grande parte deste conteúdo lamentável é dirigido a mulheres e grupos subrepresentados", lamenta.

Questionada sobre se a literacia é suficiente, a vice-diretora da OCDE considera ser necessária uma "abordagem holística".

"Não quis dizer que a literacia por si só fosse suficiente. (...) Penso muito em atividades onde temos 'fact-checking', organizações de interesse público que trabalham para responsabilizar as plataformas, para combater a desinformação, todos estes esforços são essenciais para abordar, de um modo geral, a forma como absorvemos a informação (...) e como entendemos isso, como agimos com base nela enquanto populações comprometidas com os processos democráticos, a liberdade de expressão e outros valores que são essenciais para as economias de mercado que vemos na OCDE", acrescenta.

Assim, defende uma abordagem holística.

"Mas acredito que uma das áreas em que os governos podem ter um grande impacto é nas competências e na literacia. (...) Vejo isso a acontecer em idades muito jovens agora, com o currículo a ser introduzido nas escolas e vejo que há muito esforço a ser investido nisso", adianta, considerando que isso "também é importante".

A isto junta-se a "oportunidade de abordar as questões tecnológicas com tecnologia".

"Podemos resolver desafios tecnológicos com novas formas, seja através da verificação criptográfica ou da capacidade de, por exemplo, detetar uma 'depfake'".

Por conseguinte, "todas estas ferramentas serão essenciais para estarem nas mãos do público, mas também para que os decisores políticos as apliquem", defende.

Se se colocar o tema das eleições, então os desafios em torno do discurso público são "muito desafiantes".

Recordou ainda que a OCDE teve uma iniciativa chamada 'Reinforcing Democracy' [Reforçar a Democracia] que era focada exatamente nesta questão.

"Tivemos uma recomendação [no final do ano passado] sobre a integridade da informação (...) focada em garantir um ambiente de integridade da informação, ou pelo menos em promovê-lo no contexto em que vivemos". Agora, "esperamos poder continuar a fazer esforços por detrás destas ferramentas que colocámos em prática para ajudar os decisores políticos a percebê-las e a realmente implementá-las", remata.

Inforpress/Lusa

Fim

 

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