Entrevista: Élida Almeida transforma maternidade e autoconhecimento em álbum “Spedju”

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Entrevista: Élida Almeida transforma maternidade e autoconhecimento em álbum “Spedju”
13/02/26 - 02:32 pm

Cidade da Praia, 13 Fev (Inforpress) – A cantora cabo-verdiana Élida Almeida transformou a experiência da maternidade, reflexões pessoais e autoconhecimento na sua mais recente obra discográfica “Spedju”, álbum lançado hoje, que mistura emoção, raízes culturais e crescimento artístico.

Em entrevista à Inforpress, Élida Almeida, que há 11 anos lançou o seu primeiro álbum “Ora Doci Ora Margos”, revelou que o título do “Spedju” (Espelho, em português), simboliza o objecto que lhe acompanhou durante os nove meses de gestação, tornando-se seu confidente e espaço de introspecção.

“O espelho foi o lugar que me ajudou a sentir-me bonita, a acompanhar a minha barriga a crescer e a imaginar o rosto da minha filha. Também foi um espaço de reflexão sobre inquietações e o que está por vir”, explicou a cantora.

Disse que cada faixa do álbum traz uma dimensão pessoal intensa, mas com apelo universal.

“O álbum é um espaço de autoconhecimento. Convida a ser exactamente quem se é, sem padrões nem julgamentos”, acrescentou Élida Almeida.

“Spedju” marca ainda uma novidade na carreira da artista: quatro duetos inéditos, incluindo “Mentira” com Grace Évora e outros artistas renomados.

A cantora revelou que, nos seus 11 anos de carreira, é a primeira vez que realiza duetos num álbum.

“Escolhi artistas que me inspiram e acrescentam à narrativa do álbum, criando diálogos autênticos e vibrantes”, detalhou.

O disco também reafirma a ligação às raízes culturais de Cabo Verde. Faixas como “Kumbosa” (batuque) e “Baka Brabu” (funaná reinterpretado) evocam memórias de infância e fortalecem a herança musical da artista.

Em “Funa Ku Nana”, Élida revisita a origem do funaná e lembra o contexto histórico da escravatura, destacando como as músicas de protesto se tornaram resistência cultural.

“Gerar uma vida e criar este álbum ao mesmo tempo transformou a minha maneira de pensar e de sentir. É uma aventura que me permitiu crescer, reflectir e expressar emoções profundas”, contou a artista.

Elida incentiva o autoconhecimento livre de padrões e julgamentos, reforçando a importância de ser exactamente quem se é.

“Estamos num bom caminho. As gerações actuais estão mais conscientes da necessidade do autoconhecimento, de cuidar da saúde mental e de conhecer bem seus princípios e preferências. Isso ajuda a enfrentar os desafios da maternidade e da vida”, disse.

O álbum equilibra tradição e contemporaneidade, oferecendo aos ouvintes uma viagem íntima pelo crescimento, pelas relações humanas e pela força feminina, com autenticidade e sensibilidade.

“O álbum reflecte quem fui, quem sou e quem me preparo para ser. Espero que cada ouvinte encontre também o seu próprio reflexo”, concluiu.

KA/SR//HF

Inforpress/Fim

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