
Cidade da Praia, 13 Fev (Inforpress) - O combatente da liberdade da pátria Olívio Pires lançou hoje “A Memória que se faz Necessária”, uma obra apresentada pelo juiz conselheiro Aristides Lima e que cruza a luta pela independência com a transição para a democracia.
O Salão Beijing da Presidência da República foi palco, esta sexta-feira, do lançamento da obra “A Memória que se faz Necessária”, de Olívio Pires, que resgata o percurso do combatente da liberdade da pátria, desde a luta armada contra o colonialismo até ao seu papel decisivo como autor da proposta de revisão constitucional de 1990, que abriu as portas à democracia multipartidária em Cabo Verde.
Durante a cerimónia, Aristides Lima sublinhou que a obra é um documento essencial para a “cultura da lembrança”, realçando que Olívio Pires não só lutou pela independência, como foi um dos principais arquitetos do sistema democrático e das instituições nacionais.
Mais do que uma biografia, o novo livro de Olívio Pires é descrito como um documento fundamental para compreender a edificação do Estado cabo-verdiano.
“É um momento importante para que os jovens tenham acesso a estas fontes e possam julgar os factos por si mesmos”, afirmou Aristides Lima.
Para o apresentador, o livro é um exercício essencial, permitindo que as novas gerações compreendam como o povo de Cabo Verde se organizou para conquistar a independência e, posteriormente, para transformar o sistema político em busca de uma sociedade mais pluralista.
Ausente por motivos de saúde, o autor foi representado pelo seu filho Amílcar Pires, que descreveu o pai como um homem de “lealdade inquestionável” e uma “humildade extraordinária”, cuja visão sempre privilegiou a educação como o futuro de Cabo Verde.
“O meu pai sempre viu na educação o futuro deste país. Este livro é um contributo para que a história não pareça estar a acontecer pela primeira vez”, reforçou.
O lançamento contou ainda com o testemunho emotivo do Comandante Pedro Pires.
Enquanto presidente da Fundação Amílcar Cabral, Pedro Pires recordou a longa caminhada partilhada desde 1965, caracterizando Olívio Pires como um “revolucionário profissional” e um militante de entrega total, cujo percurso passou pelas frentes de combate na Guiné e por missões diplomáticas cruciais na Europa antes da independência em 1975.
A obra de 435 páginas, que reúne intervenções e memórias factuais, apresenta-se agora como um contributo valioso para a historiografia de Cabo Verde, incentivando uma reflexão sobre os erros e virtudes do passado para melhor compreender a construção do Estado soberano.
“Esta obra é de grande importância para se conhecer a história do nosso país, particularmente no que toca à transição para a democracia”, reiterou Aristides Lima, sublinhando que o livro deve ser lido especialmente pela juventude para que esta possa “julgar as questões a partir de factos” e não apenas por narrativas políticas.
SC/JMV
Inforpress/Fim
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