
Cidade da Praia, 05 Nov (Inforpress) – Falta de financiamento, reduzida mobilização dos profissionais e necessidade de maior investimento na formação constituem alguns dos principais desafios do cinema cabo-verdiano considerou a presidente da Associação do Cinema e Audiovisual de Cabo Verde (ACACV), Cândida Barros.
Em entrevista à Inforpress, por ocasião do Dia do Cinema em Cabo Verde, assinalado hoje, aquela responsável reconheceu que os constrangimentos financeiros e institucionais limitam a capacidade da associação para promover e valorizar a produção cinematográfica nacional.
Desde que assumiu a presidência da ACACV, Cândida Barros tem dado continuidade ao trabalho da anterior direcção, liderada por Júlio Silvão, procurando dinamizar o sector, apesar dos “recursos limitados”.
Com 40 anos de experiência na produção televisiva, tem recorrido aos seus contactos profissionais para estabelecer parcerias e mobilizar apoios.
“Eu estou a fazer coisas que eu gosto, cinema, televisão, é a minha área”, afirmou.
Entre as principais dificuldades financeiras, apontou a ausência, desde 2019, dos recursos provenientes da cópia privada, que constituíam uma das principais fontes de sustentabilidade da associação. A falta desses valores tem condicionado a realização de actividades, levando a direcção a procurar apoios pontuais e parcerias institucionais.
Apesar das limitações, a ACACV tem promovido mostras de filmes em escolas e universidades e participado em iniciativas internacionais para divulgar as produções cabo-verdianas.
A mobilização dos profissionais constitui outro desafio, segundo a presidente, que apelou ao envolvimento de cineastas, produtores, realizadores e outros agentes do audiovisual na associação, considerando que a união é fundamental para defender os interesses do sector.
“Eu não posso fazer cinema sozinha. Ninguém trabalha sozinho. É impossível”, afirmou, defendendo melhores condições para o desenvolvimento da produção cinematográfica nacional.
Cândida Barros considera que Cabo Verde dispõe de jovens talentosos, mas muitos continuam sem oportunidades para concretizar os seus projectos, devido à insuficiente aposta no sector.
Defendeu, por isso, um investimento mais consistente no cinema, através de mecanismos de apoio à produção, formação e promoção, à semelhança do que acontece noutras áreas culturais, particularmente na música.
“O cinema educa”, salientou, considerando que a produção audiovisual contribui para valorizar a cultura cabo-verdiana, transmitir conhecimentos e envolver as novas gerações no desenvolvimento do sector.
Entre as prioridades da nova direcção está o reforço da realização de festivais e mostras de cinema no país, através de maior articulação entre profissionais, instituições públicas e parceiros privados.
Por ocasião da efeméride, Cândida Barros apelou aos cineastas e produtores para se aproximarem da associação e participarem nas suas actividades, defendendo que o futuro do cinema nacional depende do envolvimento colectivo e da criação de condições para produzir e divulgar mais filmes cabo-verdianos.
KA/ZS
Inforpress/Fim
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