
Edmonton, Canadá, 20 Out (Inforpress) - Os eleitores da província de Alberta, no oeste do Canadá, rejeitaram uma proposta para iniciar um processo rumo à independência, segundo os resultados divulgados esta madrugada.
O desfecho representa uma vitória para o primeiro-ministro Mark Carney e para os defensores da unidade canadiana, num cenário marcado pela guerra comercial e pelas ameaças de anexação por parte do Presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump.
A votação não foi um referendo directo sobre a independência, mas teria colocado Alberta, província rica em petróleo, num caminho que poderia levar a uma futura votação sobre a separação do Canadá.
Com mais de um milhão de votos apurados, cerca de 76% apoiaram a permanência no Canadá, enquanto 23% defenderam o início de um processo que poderia resultar na separação.
"Somos um país sólido, unido de costa a costa", declarou aos apoiantes Thomas Lukaszuk, antigo vice-primeiro-ministro de Alberta, que liderou a campanha "Forever Canadian" (‘Para Sempre Canadiano’) contra a separação.
A divulgação dos resultados sofreu atrasos, devido à abertura tardia de mais de 100 mesas de voto na segunda-feira, que obrigou ao alargamento do horário da votação nessas assembleias.
Mais de 1,35 milhões de habitantes de Alberta, 43% do eleitorado registado, votaram antecipadamente ou através de boletins especiais.
Os eleitores de Alberta decidiram se permaneceriam no Canadá ou se iniciariam um processo legal que poderia levar a uma segunda votação sobre a separação.
Alberta, que alberga as quartas maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, é uma região de cultura "cowboy" e um bastião conservador. A sua cultura política tem mais em comum com o Oeste dos Estados Unidos do que com grande parte do Canadá.
O ressentimento em relação a Otava é profundo, mas, tradicionalmente, nunca se traduziu num apoio generalizado à independência.
Apesar do fracasso da proposta, os líderes separatistas afirmam que transformaram uma causa marginal num movimento que não desaparecerá.
O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, tinha instado os habitantes de Alberta a darem um voto decisivo pela unidade.
"Votem como se o futuro do Canadá dependesse disso, porque, de facto, depende", disse durante um comício na passada sexta-feira em Edmonton, cidade onde cresceu.
A primeira-ministra de Alberta convocou o referendo sob pressão dos separatistas dentro do Partido Conservador Unido, embora ela própria se oponha à independência. Danielle Smith citou uma sondagem que mostra apenas 22% de apoio à separação, uma taxa que, segundo ela, é ainda assim demasiado elevada.
Segundo o ex-primeiro-ministro provincial Jason Kenney, os partidos separatistas atraíam tradicionalmente apenas 1% ou 2% dos votos.
Kenney explicou que a indignação com as restrições impostas durante a pandemia de covid-19 ajudou a mobilizar ativistas que, posteriormente, aderiram ao movimento separatista.
Inforpress/Lusa
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