
Cidade da Praia, 10 Jul (Inforpress) – O Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) defendeu hoje mais investimentos em emprego, habitação, saúde e apoio à infância, alertando sobre a instabilidade económica e social que impede muitos jovens de concretizarem os seus projectos.
Na mensagem alusiva ao Dia Mundial da População, assinalado este sábado, 11 de Julho, sob o lema “Concretizar as esperanças e aspirações dos jovens – hoje e no futuro”, a organização sublinhou que muitos jovens desejam casar e ter filhos, mas não encontram as condições necessárias para o fazer.
“As restrições económicas e habitacionais foram os obstáculos mais frequentemente citados à formação de uma relação”, afirmou a directora executiva do UNFPA, Diene Keita, ao apresentar os resultados do Inquérito sobre Futuros Demográficos.
Aquela responsável defendeu ainda que “investimentos voltados para o futuro, desde o emprego, habitação e os cuidados de saúde até à licença parental e ao apoio à infância, são essenciais para que os jovens possam concretizar o direito de tomar decisões determinantes para as suas vidas”.
A nota avança ainda que o Inquérito sobre Futuros Demográficos, intitulado “Escolhas, Vidas e Futuros: O que molda as decisões dos jovens adultos sobre relacionamentos, parentalidade e o futuro” revela que a maioria dos jovens deseja casar e constituir família, mas muitos não dispõem das condições necessárias para o fazer.
O estudo, que abrangeu cerca de 109 mil pessoas com idades entre os 18 e os 39 anos, em 73 países, conclui que o tamanho das famílias que os jovens acabam por formar resulta, muitas vezes, não de uma escolha livre, mas de condicionantes como a insegurança económica, a instabilidade nas relações, o acesso inadequado aos serviços de saúde reprodutiva e a desigual distribuição das responsabilidades de cuidado.
“A maioria dos inquiridos afirma que a sua relação ideal envolve o casamento. No entanto, entre aqueles que desejam um parceiro, muitos estão solteiros e não têm relacionamentos”, afirmou a directora executiva do UNFPA, Diene Keita.
Segundo os dados, mais de dois terços dos inquiridos consideram o casamento como a relação ideal e dois filhos é o tamanho de família mais desejado na maioria das regiões do mundo.
De acordo com o UNFPA, cerca de 90% dos inquiridos consideram a segurança económica e a saúde como objectivos de vida fundamentais, sendo a estabilidade financeira o factor mais valorizado na formação de uma relação.
A agência das Nações Unidas defende, por isso, respostas governamentais baseadas em direitos e orientadas para o futuro, incluindo investimentos no emprego, habitação, cuidados de saúde, licença parental e apoio à infância, para que os jovens possam tomar decisões livres e informadas sobre os seus projectos de vida.
Para o UNFPA, as actuais mudanças demográficas exigem respostas públicas baseadas em direitos, capazes de transformar os desafios em oportunidades de desenvolvimento, através de políticas que permitam aos jovens alcançar as suas aspirações pessoais, familiares e profissionais.
CM/ZS
Inforpress/Fim
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