
Havana, 13 Mai (Inforpress) - O Governo cubano advertiu hoje de que uma agressão militar dos Estados Unidos à ilha provocaria uma “catástrofe humanitária”, além de um “banho de sangue” para ambos os países.
O ministro dos Negócios Estrangeiros cubano, Bruno Rodríguez, argumentou também nas redes sociais que não há "razão ou pretexto" para que o Governo norte-americano considere Cuba "uma ameaça" ou para pretender atacá-la para "mudar o seu sistema político ou o seu Governo".
"Uma agressão militar dos EUA a Cuba provocaria uma verdadeira catástrofe humanitária, um banho de sangue. Perderiam a vida cidadãos cubanos e norte-americanos, um cenário em que só estão dispostos a apostar os políticos que não enviam os seus filhos e familiares para a guerra", afirmou.
Na opinião do chefe da diplomacia cubano, "não há a mínima razão, nem sequer o mais pequeno pretexto, para uma superpotência como os EUA atacar militarmente uma pequena ilha que não representa qualquer ameaça, simplesmente pela pretensão de algumas pessoas de mudar o seu sistema político ou o seu Governo".
Rodríguez já na semana passada tinha sustentado, numa entrevista à estação de televisão norte-americana ABC, que uma intervenção militar norte-americana na caribenha poderia desencadear um "banho de sangue".
As declarações do MNE cubano surgem um dia depois de o secretário da Defesa norte-americano, Pete Hegseth, ter afirmado que Cuba representa uma "ameaça para a segurança nacional" do seu país.
Perante a comissão das Forças Armadas da Câmara dos Representantes (câmara baixa do Congresso norte-americano), Hegseth indicou que a ilha alberga bases militares e de serviços secretos de adversários, referindo-se à China e à Rússia, e até navios de guerra russos, incluindo um submarino de propulsão nuclear.
Hegseth retomou, assim, o argumento apresentado uma semana antes pelo secretário de Estado, Marco Rubio, que, numa entrevista, manifestou o seu descontentamento com a utilização do território cubano por "adversários dos Estados Unidos" e descreveu essas operações, a 90 milhas náuticas da costa da Florida, como uma ameaça.
Desde janeiro que Washington pressiona Cuba para abrir significativamente a sua economia e reformar o seu sistema político, aplicando novas sanções e fazendo até ameaças de intervenção militar.
De entre as medidas impostas pelos EUA a Cuba, destaca-se o embargo petrolífero, que praticamente impediu a chegada de crude importado à ilha, a par da mais recente ronda de sanções, com medidas secundárias de natureza extraterritorial.
Há 15 dias, os republicanos do Senado (câmara alta do Congresso norte-americano) voltaram a bloquear uma iniciativa democrata que procurava limitar os poderes de guerra do Presidente norte-americano, Donald Trump, sobre Cuba.
A 2 de maio, Trump afirmou, durante um comício na Florida, que iria assumir o controlo de Cuba "quase imediatamente", acrescentando que tal acontecerá assim que a guerra contra o Irão terminar.
Inforpress/Lusa
Fim
Partilhar