
Cidade da Praia, 13 Jul (Inforpress) – A coordenadora dos Campos de Matemática Gulbenkian pediu hoje o reforço da formação contínua dos professores, a criação de laboratórios de Matemática nas escolas e o aumento da duração das aulas para melhorar o ensino da disciplina.
A declaração de Telma Silva foi feita aos jornalistas no âmbito da sexta edição dos Campos de Matemática Gulbenkian em Cabo Verde (CdM-CV), iniciativa promovida pela Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), financiada pela Fundação Calouste Gulbenkian e apoiada pelo Ministério da Educação.
O evento decorre de hoje a sexta-feira, 17, na cidade da Praia, e junta alunos seleccionados do ensino secundário, do 11.º ano do Sotavento, docentes, monitores e tutores.
Durante esses dias terão oportunidade de trabalhar o raciocínio lógico e a resolução de problemas em actividades que ligam a Matemática a situações do dia a dia.
Segundo Telma Silva, o programa mantém dois objectivos centrais desde a sua criação, ou seja, motivar os alunos para a aprendizagem da Matemática, bem como prepará-los para o ingresso no ensino superior, sobretudo em cursos “com forte componente” Matemática.
“Enquanto professores de Matemática, o nosso objectivo é desmistificar a ideia de que a disciplina é difícil e apresenta-la aos estudantes de forma dinâmica, prática, intuitiva e interactiva, mostrando a sua aplicabilidade em todas as áreas do dia a dia”, afirmou.
No caso dos alunos do 11.º ano que já participaram e que transitaram da edição anterior, Telma Silva explicou que o trabalho incide sobre conteúdos que irão encontrar no ensino superior.
A coordenadora explicou ainda que os Campos decorrem em dois momentos distintos, um para as ilhas do Barlavento e outro para as do Sotavento.
Na região do Barlavento participam praticamente todas as ilhas e escolas, enquanto no Sotavento apenas a ilha Brava não está representada, por falta de candidatos que cumpram os critérios de selecção, nomeadamente média geral mínima de 14 valores e classificação mínima de 16 valores a Matemática.
Fazendo um balanço das seis edições, Telma Silva considerou que já são visíveis algumas mudanças desde 2021, coincidindo com a introdução de novos programas e manuais escolares.
Segundo afirmou, os estudantes que participam no programa revelam maior motivação para a disciplina e muitos professores que passaram pelos Campos alteraram as suas práticas pedagógicas.
Apesar dos progressos, considerou que a iniciativa, por si só, não é suficiente para resolver as dificuldades existentes no ensino da Matemática.
A edição deste ano introduz como novidade uma formação em Geometria, dirigida aos professores do ensino secundário que acompanham os estudantes.
Segundo Telma Silva, a escolha desta área resulta da constatação de que a Geometria tem sido progressivamente desvalorizada no ensino, originando lacunas que se refletem posteriormente no percurso académico dos estudantes.
JBR/AA
Inforpress/Fim
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