
Sal-Rei, 13 Jul (Inforpress) – Os agricultores da Zona Norte da Boa Vista queixam-se de elevados prejuízos financeiros devido às falhas no escoamento de produtos e à ausência de uma cadeia de frio para a conservação das colheitas na ilha.
Em declarações à imprensa, os produtores locais relataram que vencer as dificuldades da terra e garantir o rendimento da colheita não tem sido fácil, principalmente depois de suposta contaminação com a bactéria Shigella, uma vez que uma parte significativa de hortaliças e frutas acaba por apodrecer na ilha antes de conseguir chegar ao mercado consumidor fora da Boa Vista.
O agricultor Nelito Mendes, que trabalha na zona, explicou que, além do problema de água, do combate diário contra as pragas e a invasão de animais, o maior "pesadelo" reside na logística e no transporte marítimo, descrevendo o processo de embarque no porto como "arcaico e violento", e que o problema se agrava com a irregularidade das ligações marítimas.
"Se o barco falha ou atrasa três semanas, estraga-se tudo. Como não há câmaras frias na ilha, guardamos os produtos em casa, à sombra, mas ao fim de 15 dias perdem a qualidade e vão para o lixo ou damos aos animais", desabafou o agricultor, frisando que a produção fica toda acumulada na horta.
A mesma denúncia sobre o bloqueio no escoamento é partilhada por Adradino Andrade que aponta a falta de vaga nos navios de carga como um problema crónico que afecta a classe.
Segundo relatou, é frequente os agricultores pagarem fretes de carros para levar a mercadoria até ao porto e serem obrigados a regressar com os produtos para trás por falta de espaço a bordo.
"Produtos como a melancia e a berinjela, estragam-se por completo. Levamos quatro a cinco sacos ao porto e temos de voltar com eles. Só em transporte de carro perdemos cinco a seis contos por viagem, para além do valor do próprio produto que se deita fora por não ser escoado", detalhou o agricultor.
Perante este cenário, a classe apela a uma intervenção urgente das autoridades competentes na melhoria das ligações marítimas e na criação de infra-estruturas de conservação pós-colheita, alertando que a ausência de soluções para o escoamento está a sufocar economicamente as famílias que vivem da agricultura na ilha.
MGL/HF
Inforpress/Fim
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