
Espargos, 28 Abr (Inforpress) – O IX Congresso Nacional sobre a Prevenção em Segurança e Saúde Ocupacional (SSO) arrancou hoje, no Sal, com o foco na necessidade de uma maior consciência cívica e empresarial para travar o número de acidentes mortais em Cabo Verde.
O evento, organizado pelo Instituto de Segurança e Saúde Ocupacional (ISSO) sob o lema da OIT "Como vai o trabalho?", assinala o Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes de Trabalho e o Dia Nacional da Segurança e Saúde no Trabalho, reunindo especialistas nacionais e internacionais para debater a gestão de riscos e a dignidade laboral.
Em declarações à imprensa, o presidente do ISSO, João de Carvalho, manifestou preocupação com os indicadores de sinistralidade no país, sublinhando que o objetivo do encontro é sensibilizar o Governo, empresários, sindicatos e a sociedade civil para a promoção de um ambiente de trabalho seguro e digno.
“A nossa preocupação é justamente com a dinâmica do país e com o número de acidentes mortais que se tem registado em Cabo Verde. Isso preocupa-nos e é por isso que temos trabalhado no sentido de consciencializar todos os atores”, afirmou.
A mesma fonte destacou que o lema deste ano convida à reflexão sobre a saúde mental, a carga horária e a conciliação entre a vida profissional e familiar.
Para João de Carvalho, o país dispõe já de um quadro normativo, sendo agora imperativo focar na execução.
“Não basta só termos documentos, já é o momento de colocarmos tudo na prática. Já é o momento de termos uma inspeção do trabalho mais eficaz e eficiente, que cumpra com as suas atribuições”, considerou.
Por seu lado, o representante da Ordem dos Engenheiros Técnicos de Portugal, Paulo Moradia, que participa no congresso para partilhar a experiência portuguesa, corroborou a ideia de que o excesso de leis não substitui a consciência dos atores no terreno.
“Independentemente da quantidade de legislação que nós podemos produzir é fundamental o consenso e a consciência dos atores (...). Enquanto todos não tomarmos essa consciencialização, vai ser muito difícil”, alertou o especialista, que apontou a inspeção como uma ferramenta que deve ser, acima de tudo, preventiva e pedagógica.
Paulo Moradia deixou ainda uma recomendação específica para o contexto cabo-verdiano, que é “a aposta na divulgação agressiva” de estatísticas.
“Às vezes as pessoas precisam ser chocadas com os números. A tendência de, às vezes, omitir esses números têm um efeito exatamente ao contrário, porque cria nas pessoas uma sensação de segurança, de que nada acontece. É preciso chocar a comunidade para que todos percebamos a quantidade de pessoas que têm acidentes e que, no extremo, morrem”, sustentou.
O IX Congresso Nacional sobre a Prevenção em SSO conta com a participação de especialistas portugueses e conferencistas nacionais, servindo como plataforma de partilha de conhecimentos técnicos para a redução dos riscos físicos e psicossociais no trabalho em Cabo Verde.
NA/AA
Inforpress/Fim
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