
Assomada, 16 Set (Inforpress) – As comunidades de Santa Catarina são chamadas a assumir maior protagonismo na prevenção da violência contra crianças e adolescentes, através de iniciativas locais apoiadas por financiamento comunitário, numa resposta mais próxima e participativa.
O apelo foi lançado hoje, em Assomada, durante a sessão de apresentação e esclarecimento do edital de financiamento de iniciativas comunitárias promovido pelas Aldeias Infantis SOS Cabo Verde, no âmbito do Projecto Djunta Mom, financiado pela União Europeia.
Para o coordenador do Projecto Djunta Mom, Adalberto Varela, o combate à violência e ao abuso sexual contra crianças não pode ser responsabilidade exclusiva das instituições públicas e organizações especializadas, sendo fundamental envolver quem está diariamente nas comunidades.
“A comunidade precisa estar alerta, estar atenta, disponível, encontrar-se e estar preparada para a luta contra a violência sexual e o abuso sexual contra crianças”, afirmou.
Segundo o responsável, as associações comunitárias encontram-se numa posição privilegiada para identificar situações de risco, mobilizar famílias e desenvolver acções de prevenção, podendo ainda reforçar as suas capacidades para concorrer a outros financiamentos no futuro.
“Quanto mais pessoas estiverem envolvidas, melhor”, defendeu Adalberto Varela, salientando a necessidade de criar redes locais de protecção e, sempre que possível, comités comunitários capazes de trabalhar na prevenção da violência e na defesa dos direitos da criança.
O edital disponibiliza cerca de 3.027.627 escudos para financiar nove subvenções comunitárias, correspondendo a uma iniciativa por comunidade-alvo. Cada organização seleccionada poderá beneficiar de um máximo de 336.403 escudos.
Em Santa Catarina, são elegíveis as comunidades de Achada Lém, Ribeira da Barca e Rincão, devendo as organizações interessadas apresentar as suas candidaturas até 01 de Outubro.
As propostas poderão enquadrar-se nas áreas de Protecção Infantil, Desenvolvimento Integral e Competências para a Vida de Crianças e Adolescentes, Desenvolvimento Comunitário, Participação Infantil e Juvenil e Sensibilização Comunitária.
Entre as organizações presentes esteve a Associação de Mulheres na Luta contra a Pobreza da Ribeira da Barca e a representante, Judite Furtado, ressaltou que a associação pretende desenvolver acções de acolhimento e acompanhamento de crianças, actividades recreativas e iniciativas de sensibilização, além de trabalhar questões relacionadas com o consumo de álcool e drogas entre os jovens.
Judite Furtado defendeu a importância de estruturas comunitárias capazes de acolher e apoiar crianças em situação de vulnerabilidade, considerando que a prevenção deve começar nas próprias comunidades.
Também Isaurinda Garcia, da Associação de Desenvolvimento Comunitário de Fundura, apontou a prevenção como prioridade e pretende apresentar uma proposta direccionada para a redução do consumo de álcool e drogas e para a sensibilização da comunidade, sobretudo dos jovens.
Embora a associação não tenha registado situações de violação de crianças e adolescentes na comunidade, Isaurinda Garcia considerou necessário reforçar o trabalho preventivo.
MC/HF
Inforpress/Fim
Partilhar