
Cidade da Praia, 18 Ago (Inforpress) – A comunidade surda levou hoje, ao Presidente da República, preocupações sobre língua gestual, inclusão e emprego, com destaque para a oficialização da língua, e pediu mais oportunidades aos jovens.
Em entrevista à Inforpress, a vice-presidente da Associação Cabo-verdiana de Surdos explicou que a deslocação à Presidência da República revestiu-se de particular importância, sobretudo por permitir às crianças e jovens surdos conhecerem de perto o Presidente da República.
Segundo a responsável, a visita teve também como objectivo promover a inclusão e a participação das pessoas surdas na vida social e institucional do país, bem como proporcionar um momento de interacção com o Chefe de Estado.
A deslocação serviu ainda para dar a conhecer algumas das conquistas alcançadas pela comunidade surda em Cabo Verde e os desafios que persistem nos domínios da acessibilidade, educação, comunicação, emprego e participação social.
Entre as principais preocupações apresentadas ao Presidente da República esteve a necessidade de oficialização da língua gestual cabo-verdiana, uma reivindicação considerada importante para o reconhecimento e a valorização da língua utilizada pela comunidade surda no país.
A inserção dos jovens surdos no mercado de trabalho foi outra das questões levantadas.
Neste sentido, explicou, uma das principais preocupações é garantir o acesso ao emprego e oportunidades profissionais que permitam aos jovens surdos demonstrar as suas capacidades e competências e contribuir activamente para o desenvolvimento de Cabo Verde.
“Depois de concluírem o seu percurso académico, almejam encontrar oportunidades de emprego em condições de igualdade, sem serem discriminados pelo facto de serem surdos e com dignidade”, afirmou.
A responsável defendeu que a luta da comunidade surda deve também servir para abrir caminho às gerações futuras.
A visita à Presidência da República serviu, igualmente, como uma chamada de atenção para a necessidade de reforçar a inclusão e a acessibilidade das pessoas surdas.
Neste âmbito, a responsável apontou a necessidade de existirem mais intérpretes nas instituições públicas, sobretudo nas universidades, onde, segundo explicou, muitas vezes são os próprios estudantes que acabam por dar suporte aos colegas surdos.
“A universidade deve estar preparada para receber este tipo de estudantes e proporcionar-lhes boas condições”, defendeu.
Para a representante da comunidade surda, a ideia de “um Cabo Verde para todos” deve incluir também as pessoas com deficiência, particularmente as pessoas surdas, cuja principal forma de comunicação é a língua gestual.
“Por isso, defendemos que devem ter acessibilidade em todos os aspectos”, afirmou.
Questionada sobre a valorização e o reconhecimento que a língua gestual tem tido em Cabo Verde, a vice-presidente reconheceu que tem havido avanços, mas considerou que ainda é necessário fazer muito mais.
Foi neste contexto que a comunidade propôs ao Presidente da República que assuma um papel de influência e incentive outros órgãos de soberania, principalmente a Assembleia Nacional, a apoiar a comunidade surda.
Segundo a responsável, o Presidente da República mostrou “total abertura” para ajudar, sobretudo no que diz respeito à aprovação de um estatuto e ao reconhecimento da Língua Gestual Cabo-verdiana, de modo a que exista uma lei que a reconheça como língua materna.
Dirigindo-se aos decisores políticos, a vice-presidente da Associação Cabo-verdiana de Surdos deixou uma mensagem centrada na criação de oportunidades e na garantia de condições de igualdade.
JBR/HF
Inforpress/Fim
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