
Cidade da Praia, 01 Set (Inforpress) – O Governo tem equipas no terreno a avaliar o ano agrícola para preparar um programa de mitigação integrado para responder a cenários de seca ou cheias, garantindo apoio às famílias vulneráveis e ao sector pecuário.
A informação foi avançada à imprensa pela ministra da Agricultura e Ambiente, Eveline Ramos.
A governante sublinhou que a alteração nos padrões de precipitação – agora mais tardia devido às mudanças climáticas – ainda mantém a esperança de uma inversão no cenário actual.
“As autoridades agrícolas cabo-verdianas encontram-se a monitorizar a situação em todo o país. O objectivo é definir as próximas fases da campanha e a necessidade de accionar medidas de apoio”, afirmou.
Face à perda das primeiras sementeiras (feitas tradicionalmente a partir de Junho), os serviços do ministério estão a distribuir sementes para que os agricultores realizem uma nova plantação.
O executivo, segundo Eveline Ramos, está a trabalhar focado em dois extremos possíveis: inundações ou seca severa.
“Acreditamos que a situação ainda vai mudar porque estamos sob o efeito das alterações climáticas. O período da chuva já não é tão concentrado nos meses previstos. Agora temos de considerar que as chuvas chegam mais tarde ao nosso país devido a estas mutações”, salientou.
A ministra reforçou que, caso se confirme a necessidade de intervenção, esta será focada na pecuária e no sector social.
Na pecuária, o trabalho foca-se na garantia de água e alimentação para os animais de forma a colmatar o défice de pasto e no sector social, será elaborado um programa de criação de emprego e devolução de rendimento para apoiar as famílias que ficarem em situação de vulnerabilidade.
Questionada sobre a falta de mão de obra que pode ameaçar as áreas a cultivar, a governante identificou a escassez de trabalhadores como um problema estrutural que afecta o interior de Santiago e todo o país, impulsionado pela forte saída de jovens de Cabo Verde.
“Vai, com certeza, haver uma diminuição, mas trabalharemos para que nos próximos anos a centralidade seja colocada no sector da juventude, de forma a atrair os jovens também para o sector primário”, disse, realçando que o foco passa por colocar as novas gerações no centro das políticas públicas.
Interrogada ainda sobre as prioridades para a década 2026/2035, à margem do ateliê de validação do Programa Nacional de Investimento Agrícola e Segurança Alimentar (PNIASA), a ministra apontou a investigação científica para responder aos desafios climáticos, a produção e segurança alimentar, bem como a integração de jovens e mulheres no sector.
Destacou também a questão dos mercados, o financiamento e a responsabilização do país para a próxima fase do projecto da política agrícola comum dos países da África Ocidental.
PC/HF
Inforpress/Fim
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