
Sal Rei, 14 Jan (Inforpress) – Vários consumidores na ilha da Boa Vista denunciaram hoje o cenário de "sofrimento" e "abuso" nas filas para a aquisição de gás butano, situação que persiste mesmo após a chegada do navio de abastecimento na última terça-feira.
Em declarações à Inforpress, residentes em Sal Rei relataram que, nos últimos dias, as filas nos postos de abastecimento da Enacol e da Vivo Energy (Shell) começam a formar-se por volta das 04:00 da madrugada.
Maria Antonieta Rocha, uma das consumidoras que aguardava na fila, afirmou estar há uma semana sem gás em casa, o que tem condicionado a alimentação da família e a ida das crianças à escola.
"Nós ficamos sem comer em casa. Minha filha já veio três dias seguidos e não consegue comprar”, afirmou.
“É um abuso de poder, ninguém aparece para nos dizer nada e ficamos aqui ao sol, com fome e sem café", desabafou a residente Eugénia Mendes, que também está sem gás em casa e classificou a situação como "vergonhosa" devido à ausência de informações por parte dos responsáveis locais.
Apesar do cenário nas ruas, fontes ligadas às empresas distribuidoras, identificadas pela Inforpress, garantiram que "não há escassez" de gás na ilha. De acordo com informações recolhidas, o produto está disponível nos armazéns, tendo o navio de reposição feito a descarga normalmente após um ligeiro atraso na passada segunda-feira.
Contudo, outra fonte admitiu que houve uma falha na distribuição de aproximadamente uma semana numa das empresas, sobrecarregando a outra operadora.
A Inforpress apurou que não há limites de venda por cliente ou agente, e que "o sistema funciona com base no pedido do agente revendedor e a empresa de combustível entrega”.
Situação que “tem facilitado o açambarcamento por parte de alguns, enquanto o consumidor doméstico continua na fila", revelou uma fonte próxima do processo, referindo-se à situação de possível revenda informal que tem deixado as grades de gás vazias em poucos minutos.
Contactados pela Inforpress, os responsáveis locais da Enacol e da Vivo Energy escusaram-se a prestar declarações gravadas, remetendo quaisquer esclarecimentos adicionais para as administrações centrais das respectivas empresas, na Praia e em São Vicente, assegurando apenas que a reposição na ilha "está a decorrer dentro da normalidade".
Perante este impasse, os consumidores apelam à intervenção das autoridades reguladoras e de fiscalização para normalizar o acesso ao produto e garantir que o stock disponível chegue a todas as famílias da ilha.
MGL/HF
Inforpress/Fim
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