Boa Vista: Observatório classifica ilha como "zona de risco" para tráfico de pessoas e intensifica acções de prevenção

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Boa Vista: Observatório classifica ilha como "zona de risco" para tráfico de pessoas e intensifica acções de prevenção
08/04/26 - 02:30 pm

Sal Rei, 08 Abr (Inforpress) – O Observatório Nacional do Tráfico de Pessoas (ONTP) apontou hoje a ilha da Boa Vista como uma das zonas de maior vulnerabilidade para o tráfico de pessoas em Cabo Verde, devido à sua “forte dinâmica turística”.

A classificação foi avançada pelo presidente do ONTP, José Luís Vaz, no âmbito de uma acção de sensibilização na Escola Secundária da Boa Vista. Segundo o responsável, a ilha, juntamente com outros pontos turísticos do país, exige uma atenção redobrada no eixo da prevenção, dada a exposição de grupos específicos a redes criminosas.

"Nas ilhas turísticas de Cabo Verde, que nós consideramos ilhas de vulnerabilidade em relação ao tráfico, é preciso um trabalho constante de informação", afirmou José Luís Vaz, destacando que o público alvo prioritário nestas zonas são os jovens e a comunidade imigrante.

O presidente do Observatório explicou que a natureza complexa e a difícil identificação deste crime tornam a sensibilização na Boa Vista uma prioridade estratégica.

"O país deve fazer um trabalho para reduzir as vulnerabilidades sociais e económicas, mas o Observatório trabalha as vulnerabilidades pessoais, ou seja, o desconhecimento sobre as estratégias dos traficantes", frisou.

Apesar deste risco, os dados judiciais a nível nacional revelam ainda um cenário de baixas condenações. Desde que foi definido como crime, em 2015, registaram-se 20 denúncias em todo o país, existindo apenas um caso julgado com condenação e sete processos atualmente em fase de investigação.

Para Omaro Diallo Abreu, gestor de projectos do Centro Internacional para o Desenvolvimento de Políticas Migratórias, o investimento na Boa Vista visa precisamente atacar a raiz do problema.

“Onde existe vulnerabilidade, é possível que exista tráfico. O objectivo é reduzir essas probabilidades”, defendeu o representante da entidade financiadora da União Europeia.

A acção de sensibilização junto dos estudantes já produziu resultados na percepção do risco local. Adriana de Pina, aluna do 12.º ano, admitiu que a iniciativa permitiu compreender a necessidade de questionar propostas aparentemente vantajosas.

"Aprendemos a prevenir situações e a analisar se uma proposta é realmente confiável", conclui.

As actividades do ONTP na Boa Vista, integradas no projecto SIM-CV, prosseguem hoje com uma sessão comunitária no antigo Gabinete de Realojamento (Salinas) e terminam quinta-feira, 09, com uma reunião institucional com a Câmara Municipal da Boa Vista para alinhar estratégias de combate ao crime ao nível do município.

MGL/AA

Inforpress/Fim

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