
Sal Rei, 24 Ago (Inforpress) – Responsáveis das escolas de condução na Boa Vista consideraram hoje que a inexistência de uma delegação da DGTR na ilha condiciona o ensino da condução e provoca prejuízos financeiros a escolas e alunos.
Por isso, as escolas e os alunos exigem, urgentemente, um serviço autónomo e um examinador fixo na ilha que, actualmente, conta apenas com um representante local da Direcção Geral dos Transportes Rodoviários (DGTR), dependendo da deslocação de técnicos vindos da cidade da Praia para a realização de vistorias e exames de condução, que ocorrem em intervalos de mês e meio a dois meses.
Em declarações à Inforpress, o proprietário da Escola de Condução Boavista, Vítor Cruz, considerou que a situação é “insustentável” perante o crescimento da população e economia da ilha, destacando que a falta de resposta regular prejudica os compromissos financeiros das empresas.
“Já lá vão mais de 30 anos com promessas de Governos sucessivos de que a situação mudaria. A realização de exames de dois em dois meses não dá margem de manobra às escolas, gera desorganização e impede o trabalho contínuo de mais de uma dezena de instrutores formados na ilha”, afirmou o responsável.
Por seu lado, a instrutora da Escola de Condução Moderna, Florentina Lopes, apontou prejuízos directos na aprendizagem dos formandos, frisando que o longo período de espera entre a conclusão das aulas práticas obrigatórias e a data do exame força os alunos a pagarem aulas adicionais.
“Os alunos concluem as aulas e depois ficam quase um mês sem conduzir até ao exame. Para não perderem a prática, têm de comprar mais aulas. Além disso, a sobrecarga de trabalho do único representante da DGTR atrasa licenças e afecta trabalhadores locais e emigrantes que vêm de férias com prazos curtos para tirar a carta”, explicou a instrutora.
A instabilidade é também sentida pelos formandos, como é o caso de Maria Monteiro, que relatou os constrangimentos provocados pela falta de comunicação antecipada das datas e horários das provas.
“Marcam os exames em cima da hora e não sabemos se é de manhã ou de tarde, o que dificulta o pedido de dispensa no trabalho. Depois de dois meses sem conduzir, por não termos carro próprio, perdemos o ritmo. A Boa Vista precisa de um examinador fixo e de uma delegação”, defendeu a aluna.
Já para o director da Academia do Volante, Gilson Lopes, o calendário e o intervalo médio de um mês e meio entre provas é adequado para a preparação dos alunos, mas alertou para a fragilidade operacional de ter apenas um funcionário a gerir os serviços da DGTR na ilha.
“Se essa pessoa adoece, o serviço pára. Além disso, a emissão de licenças continua dependente de decisões tomadas na Praia e a vistoria às nossas viaturas só acontece quando vêm técnicos de fora para os exames. Tendo uma delegação e um delegado local, esses processos seriam muito mais céleres”, defendeu Gilson Lopes.
Conforme apurou a Inforpress junto dos agentes do sector, a fixação de uma delegação e de uma comissão de exames residente na Boa Vista é apontada por todos como a única solução para acompanhar o aumento da frota automóvel e garantir respostas rápidas aos utentes.
MGL/HF
Inforpress/Fim
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