
Sal Rei, 22 Jan (Inforpress) – O presidente da Câmara Municipal da Boa Vista reagiu hoje com misto de satisfação e crítica perante a assinatura do novo financiamento para água e saneamento, lamentando que investimentos estruturantes cheguem apenas na recta final do mandato legislativo.
A reacção do presidente da Câmara Municipal da Boa Vista, Cláudio Mendonça, surge no âmbito da assinatura do Acordo de Crédito entre o Governo de Cabo Verde, através do Ministério das Finanças, com a UniCredit Bank Austria AG, destinado ao financiamento do Projecto “Sistema de Tratamento de Águas Residuais, Recolha, Distribuição e Irrigação da ilha da Boa Vista”, que teve lugar hoje na Sala de Conferências do Ministério das Finanças.
Cláudio Mendonça começou por realçar o aspecto positivo da assinatura do acordo, pelo facto de ser um dos projectos mais aguardados pelo povo da Boa Vista, já que a ilha enfrenta a falta de sistema de rede e tratamento de águas residuais, falta de água potável nas casas das pessoas, zonas descobertas com a rede pública de água, e água de qualidade.
“Dizer que veio tarde, porque estamos praticamente nas vésperas do fim do mandato. O município da Boa Vista não pode depender exclusivamente dos períodos eleitorais”, afirmou o autarca, defendendo que a ilha merece o seu "quinhão" de forma contínua por ser uma das que mais contribui para o Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
O autarca referiu o impacto social imediato, apontando a resolução definitiva do tratamento de águas residuais e o fim das zonas descobertas de água potável, como Bofareira e Estância de Baixo, e espera que o montante de 15 milhões de euros cubra o pacote completo de necessidades hídricas da população.
Outro ponto focado por Cláudio Mendonça foi a transferência de responsabilidade das ETAR provisórias para a AEB, recordando que a autarquia tem assumido custos elevados de manutenção por “questão de saúde pública” em zonas como o bairro Boa Esperança e o programa “Casa para Todos”.
“Queremos que este dossiê saia rapidamente da nossa responsabilidade para diminuirmos custos e ganharmos escala económica”, afirmou.
O autarca afirmou ainda que a implementação desta rede de esgotos é a condição para o arranque de grandes obras de requalificação na cidade de Sal Rei, sublinhando que era “impossível' avançar com a asfaltagem de vias estruturantes, como a Avenida Aristides Pereira e a Rua Seixal, sem primeiro garantir as infra-estruturas subterrâneas.
Segundo Cláudio Mendonça, este investimento vai finalmente “libertar” projectos de pavimentação, ciclovias e embelezamento urbano que estavam suspensos, permitindo uma nova dinâmica visual e económica à entrada da cidade e ao bairro de Boa Esperança.
MGL/ZS
Inforpress/Fim
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