
Cidade da Praia, 01 Jul (Inforpress) – O Banco de Cabo Verde (BCV) admitiu que as seguradoras nacionais mantêm níveis de solvabilidade acima dos mínimos regulamentares, demonstrando capacidade para responder aos prejuízos causados por fenómenos climáticos extremos, apesar da reduzida cobertura de seguros no país.
A garantia foi dada pelo coordenador do Gabinete de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões e de Gestão do Fundo de Garantia Automóvel do BCV, Naldino Delgado, em declarações à imprensa, à margem da conferência "O papel dos seguros na gestão dos riscos das alterações climáticas – inovação e desenvolvimento", promovida pelo BCV.
Segundo explicou, a conferência tem como objectivo promover a reflexão sobre o impacto das alterações climáticas no setor segurador e identificar soluções inovadoras que permitam reforçar a proteção da economia nacional.
"O papel do BCV é justamente fazer com que essa discussão aconteça e trazer soluções para fazer face aos riscos inerentes às alterações climáticas", afirmou.
Segundo explicou, os recentes episódios de chuvas intensas registados em Santiago e São Vicente demonstraram a vulnerabilidade de muitas famílias e empresas, uma vez que grande parte dos bens afetados não possuía cobertura de seguro.
Apesar deste cenário, garantiu que as companhias de seguros conseguiram responder aos sinistros, mantendo níveis de solvabilidade superiores aos exigidos pela regulamentação.
"O que observámos durante e após a ocorrência desses eventos é que as seguradoras fizeram face àquelas ocorrências", referiu, acrescentando que os indicadores de cobertura das provisões técnicas permaneceram acima do mínimo regulamentar de 100 % e que a margem de solvência se manteve cerca de seis vezes acima do limite exigido.
Para Naldino Delgado, estes resultados demonstram que o mercado segurador cabo-verdiano é resiliente e possui capacidade financeira para responder a eventos extremos.
O coordenador considerou, no entanto, que o principal desafio continua a ser convencer mais famílias e empresas a protegerem o seu património através do seguro, sobretudo num contexto em que os riscos associados às alterações climáticas se tornam mais frequentes.
"É justamente isso que o Banco Central está a fazer neste momento que é chamar a atenção de todos os agentes económicos, das populações, das entidades seguradoras e do próprio Estado para a necessidade de prevenir estes eventos extremos", sublinhou.
O responsável defendeu igualmente o reforço da literacia financeira, por considerar que uma população mais informada estará mais sensibilizada para a importância do seguro como instrumento de proteção.
"A literacia financeira deve mostrar à população em geral que deve fazer um seguro para fazer face a estes eventos que estão a tornar-se cada vez mais frequentes e mais diversos", concluiu.
CM/AA
Inforpress/Fim
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