Artista plástico Mito Elias alerta para normalização do fascismo e do discurso de ódio em Cabo Verde

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Artista plástico Mito Elias alerta para normalização do fascismo e do discurso de ódio em Cabo Verde
30/10/26 - 12:08 pm

Cidade da Praia, 30 Out (Inforpress) – O artista plástico Mito Elias alertou hoje para os riscos da normalização do fascismo, da intolerância e do discurso de ódio em Cabo Verde, na sequência das declarações do candidato presidencial Gilson Alves durante o debate eleitoral.

Numa publicação na sua página da rede social Facebook, Mito Elias considerou preocupante a participação, num debate presidencial, de alguém que, na sua avaliação, se assume publicamente como fascista, defendendo uma reflexão sobre os limites da convivência democrática.

A reação do artista surge na sequência das declarações de Gilson Alves no debate realizado a 27 de Outubro, transmitido pela Radiotelevisão Cabo-verdiana (RTC), durante a abordagem dos poderes do Presidente da República e da eventual necessidade de revisão constitucional.

Na ocasião, o candidato defendeu a atribuição de poderes muito amplos ao chefe de Estado, recorrendo à expressão “poder absoluto”, e manifestou a intenção de eliminar os limites materiais da revisão constitucional, afirmando que a mudança pretendida poderia ser alcançada “a jeito ou à força”.

Gilson Alves fez ainda referência ao eventual fuzilamento do actual Presidente da República e candidato à reeleição, José Maria Neves, caso venha a vencer as eleições presidenciais de 15 de Novembro.

Entretanto, o candidato negou ter ameaçado directamente José Maria Neves com o fuzilamento, sustentando que se tratou de uma hipótese cuja concretização dependeria de alterações legais e constitucionais e da condenação do actual chefe de Estado por corrupção.

Na sua publicação, Mito Elias considerou que não se pode compactuar com ideias que promovem a eliminação do outro, a intolerância e a negação da dignidade humana.

O artista manifestou também preocupação com a banalização do insulto e da agressividade verbal no discurso político, considerando que a empatia parece ter perdido espaço entre os valores fundamentais da vida pública.

Mito Elias defendeu ainda a necessidade de discutir seriamente os limites da liberdade de expressão e a responsabilização pelo discurso de ódio, pelas ameaças e pelas manifestações de desumanização, salvaguardando, contudo, os princípios do Estado de Direito.

“Há caminhos que não devemos importar”, escreveu, acrescentando que a necropolítica, a intolerância e a normalização do ódio não são tendências desejáveis para Cabo Verde, nem em nome da modernidade, da liberdade ou da democracia.

Para o artista, o futuro colectivo do país exige mais humanidade, responsabilidade e respeito pela dignidade de cada pessoa.

JMV/AA

Inforpress/Fim

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