
Assomada, 28 Abr (Inforpress) – O instrutor Norberto Monteiro, 4.º dan de karaté shotokan, defendeu hoje que a prática da modalidade é “essencial para formar cidadãos disciplinados e promover a coesão social entre crianças, jovens e adultos”.
Num espaço simples, onde o som dos passos descalços se cruza com ordens firmes e movimentos sincronizados, o karaté ganha vida como uma verdadeira escola de valores.
É neste ambiente que Norberto Monteiro orienta as suas aulas, convicto de que a sua missão vai além do ensino técnico, centrando-se na formação do carácter e de cidadãos responsáveis.
Para o instrutor, o karaté deve ser entendido como um instrumento de disciplina e de união social. Embora reconheça que muitos jovens procuram a modalidade para aprender técnicas de defesa pessoal, sublinha que o essencial está na educação e na formação integral do praticante.
“O karaté é disciplina, é respeito, é união. Trabalhamos o corpo, mas sobretudo a mente”, afirmou.
Com cerca de 25 anos de prática e mais de uma década à frente da Associação Espírito de Shotokan, Monteiro acompanha a evolução de dezenas de alunos, alguns dos quais já representaram Cabo Verde em provas internacionais.
Recorda, com orgulho, atletas que participaram em competições internacionais e alcançaram resultados de destaque, incluindo vice-campeonatos africanos.
Ainda assim, considera que o impacto da modalidade vai muito além das conquistas desportivas, defendendo o seu papel na prevenção de comportamentos desviantes, através da transmissão de valores como autocontrolo, responsabilidade e perseverança.
“Se queremos uma sociedade melhor, temos de começar pelas crianças”, sustentou.
O instrutor aponta o que considera ser uma fragilidade na abordagem aos problemas sociais, marcada por um excesso de medidas repressivas, defendendo antes uma aposta na educação e na formação de base.
“Estamos a combater as consequências, mas não as causas”, alertou.
Neste sentido, apela a uma maior sensibilização das famílias e da sociedade para a importância da prática desportiva, incentivando a participação das crianças no karaté.
Defende ainda um reforço do apoio institucional à modalidade, referindo a falta de infraestruturas e de equipamentos como um dos principais constrangimentos ao seu desenvolvimento.
Sugere igualmente a criação de espaços específicos para a prática do karaté e a integração da disciplina no sistema educativo.
Actualmente, a associação conta com cerca de 20 alunos, número que considera aquém do potencial existente, embora se mantenha confiante no crescimento da modalidade.
Para Norberto Monteiro, o karaté é uma prática inclusiva, aberta a todas as idades e géneros, constituindo uma ferramenta para o desenvolvimento pessoal.
“O karaté fortalece o carácter, dá sentido de responsabilidade e ajuda a formar cidadãos conscientes”, afirmou.
Convicto de que a mudança começa na educação, o instrutor vê na modalidade um contributo para uma sociedade mais justa, disciplinada e coesa, onde prevaleçam o respeito e a harmonia.
MC/JMV
Inforpress/Fim
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