São Vicente: Psicóloga alerta para início cada vez mais precoce do policonsumo de substâncias entre jovens

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São Vicente: Psicóloga alerta para início cada vez mais precoce do policonsumo de substâncias entre jovens
23/04/26 - 06:29 pm

Mindelo, 23 Abr (Inforpress) – A psicóloga da Comunidade Terapêutica de Ribeira de Vinha alertou hoje para o início cada vez mais precoce do policonsumo de substâncias psicoativas entre jovens em São Vicente, com base em dados da observação clínica na instituição.

Katiza Lima falava à margem de uma formação sobre saúde mental e uso de substâncias, promovida pelo subcomité para a Saúde Mental da Associação de Médicos Cabo-verdianos/Americanos, em parceria com o Instituto Cabo-Verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA), a Delegacia de Saúde de São Vicente e a Universidade do Mindelo.

Segundo explicou, os dados disponíveis no país continuam assentes no inquérito nacional de 2013, que não reflete a realidade atual.

“O mais importante são os dados baseados na observação clínica, onde acompanhamos os casos. E esses dados mostram padrões que não estão a ser captados pelos relatórios epidemiológicos existentes”, afirmou.

De acordo com a psicóloga, a idade de início do consumo situa-se nos 15 anos para a canábis e nos 16 anos para o álcool e outras substâncias, sendo que os jovens chegam cada vez mais cedo à comunidade já com dependência instalada e histórico de consumo contínuo.

Outro aspecto apontado é o aumento do policonsumo, com combinações frequentes de álcool, canábis, cocaína, crack e tabaco, o que torna o tratamento mais complexo e aumenta o risco de recaída.

A responsável destacou ainda o crescimento do consumo de crack como droga de eleição, devido ao seu elevado potencial de dependência e impacto social.

Segundo referiu, a maioria dos utentes provém de contextos sociofamiliares vulneráveis, marcados por pobreza, abandono escolar e desestruturação familiar, factores associados a problemas de saúde mental.

“O consumo surge muitas vezes como forma de automedicação, agravando um ciclo de exclusão social”, disse.

Face ao cenário, defendeu medidas mais abrangentes, com aposta na prevenção primária, na promoção da saúde mental desde cedo e na atualização dos dados nacionais.

Por sua vez, a especialista em psicoterapia da CVAMS, Neusa Araújo, afirmou que a formação visa reforçar competências dos profissionais na abordagem ao trauma e ao chamado “duplo diagnóstico”, quando há associação entre consumo de substâncias e perturbações mentais.

“A saúde mental representa quase 50 por cento da saúde geral, exigindo uma abordagem integrada”, sublinhou.

CD/JMV

Inforpress/Fim

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