
Mindelo, 09 Abr (Inforpress) - Associações comunitárias e organizações da sociedade civil em São Vicente pediram hoje a criação de mais centros de dia e espaços específicos para acolher crianças com deficiência e em situação de vulnerabilidade na ilha.
O apelo foi feito durante um encontro com o ministro de Estado, da Família, Inclusão e Desenvolvimento Social, Fernando Elísio Freire, onde as organizações expuseram as dificuldades em responder à crescente procura por apoio social.
O presidente da Associação Alto Bomba Unido, Aldevino Fortes, que gere o Centro de Dia de Monte Sossego, classificou a capacidade actual como insuficiente.
Segundo o responsável, o centro atende 50 crianças, sendo 25 de manhã e 25 à tarde, mas há uma lista de espera de mais de 100.
“Monte Sossego é a comunidade mais populosa da ilha e o centro tem sido pouco para tanta procura. O Governo terá de pensar em criar outros espaços”, afirmou, acrescentando que a associação também pretende criar um centro de dia para idosos.
No domínio da inclusão, o presidente da Associação de Desporto Adaptado de São Vicente (ARDA-SV), Helder Pio, alertou para a falta de estruturas para pessoas com deficiência, sublinhando que o único espaço existente, em Chã de Alecrim, não responde à procura.
Segundo explicou, muitos pais não têm onde deixar os filhos durante o dia.
Helder Pio pediu ainda a sensibilização das entidades públicas para a criação de empregos destinados a esta camada, que continua "excluída do mercado de trabalho".
Outras organizações como a Associação Comunitária de Vila Nova, o Centro Comunitário Djunta Mon de Ribeira Bote e a Associação Comunitária de Desenvolvimento de Ribeirinha reivindicaram apoios para a construção de sedes próprias, formação de técnicos em educação inclusiva e a simplificação dos processos de desalfandegamento de donativos.
Em resposta, o ministro Fernando Elísio Freire reconheceu que “as associações comunitárias e organizações sociais são executoras de excelência da política social do país e complementos essenciais ao Estado e às empresas”.
O titular da pasta da Família admitiu a necessidade de reforçar o financiamento ao sector e a formação de técnicos especializados em educação inclusiva, área onde o país ainda regista carências.
Relativamente ao alargamento da rede de centros de dia, indicou que o processo deverá acompanhar o reajuste do horário escolar, apontando a necessidade de parcerias com organizações que apresentem projectos e espaços físicos para a implementação destas valências.
Quanto à educação inclusiva, Fernando Elísio Freire reconheceu que o país ainda não dispõe de técnicos em número suficiente, defendendo um reforço da formação superior nesta área.
Durante o encontro, o governante abordou ainda a questão da sustentabilidade das associações, admitindo a importância de se rever o financiamento e de criar mecanismos que facilitem o acesso das organizações a fundos internacionais.
CD/CP
Inforpress/Fim
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