
Mindelo, 24 Mar (Inforpress) – A Cooperação Francesa vai financiar um projecto de reciclagem de lixo na ilha de Santa Luzia, no âmbito da iniciativa “Ilhas Sem Plástico”, informou o técnico de gestão de projectos da Expertise France, Eduardo Carvalho.
De acordo com a mesma fonte, que integrou uma delegação chefiada pelo Presidente da República, José Maria Neves, à ilha de Santa Luzia, o projecto “Ilhas Sem Plástico” surgiu em 2022, a pedido da associação ambientalista Biosfera, que já realizava campanhas de limpeza na ilha e identificou a presença de resíduos plásticos provenientes da pesca industrial.
O projecto, indicou, constitui um consórcio que integra empresas e organizações francesas, bem como as associações cabo-verdianas Biosfera, em São Vicente, e “Do Lixo ao Luxo”, na cidade da Praia, que trabalham na área dos resíduos.
“Em 2023, uma empresa francesa realizou um estudo detalhado sobre os tipos de resíduos presentes na ilha, identificando que cerca de 75% eram redes de pesca e que os plásticos provinham de 23 países diferentes, incluindo a Mauritânia, várias nações africanas, países europeus e até da Ásia, transportados pelas correntes marítimas”, explicou Eduardo Carvalho.
Segundo o técnico, o projecto terá três componentes principais. A primeira, com duração de três anos, consiste na sensibilização para a conservação da biodiversidade de Santa Luzia.
Esta componente será lançada no dia 26 de Maio e conta com um financiamento de um milhão de euros, através do Fundo Francês para o Ambiente Global.
A segunda componente, explicou, visa trazer soluções técnicas mais avançadas, com a possibilidade de apoio da União Europeia ou do fundo do Programa para a Sustentabilidade dos Oceanos da África Ocidental (WASOP), através da Expertise France, e do projecto Plastic Odyssey, que já implementou soluções semelhantes em 42 países.
“Eles estiveram em Santa Luzia no mês de Fevereiro, juntamente com a Biosfera. Recolheram cerca de 250 quilos de resíduos plásticos e conseguiram fazer a transformação no seu navio, demonstrando que é possível encontrar uma solução”, sintetizou.
A terceira e última componente do projecto, acrescentou, compreende uma “etapa mais ambiciosa”, que prevê a criação de uma unidade de tratamento de resíduos na ilha de São Vicente, com o objectivo de gerir também os problemas de lixo nessa ilha.
Avançou ainda que a França continua a explorar possibilidades de financiamento para esta fase do projecto.
CD/JMV
Inforpress/Fim
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