São Vicente/Falta de gás: “As petrolíferas devem assumir as suas responsabilidades” – Adeco

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São Vicente/Falta de gás: “As petrolíferas devem assumir as suas responsabilidades” – Adeco
17/03/26 - 06:54 pm

Mindelo, 17 Mar (Inforpress) – O presidente da Associação para a Defesa do Consumidor (Adeco) pediu hoje que as petrolíferas assumam as suas responsabilidades relativamente à falta de gás registada neste momento em São Vicente, situação que, defendeu, deve ser devidamente justificada.

Nelson Faria fez estas considerações ao ser abordado pela Inforpress sobre a situação que se vive na ilha, com pessoas à procura de gás para comprar, deparando-se com postos de venda com grades cheias de garrafas, mas todas vazias, como pôde ser constatado pela Agência de Notícias.

O responsável lembrou que a Adeco já se tinha posicionado sobre esta questão quando a mesma ocorreu em ilhas como São Nicolau, Boa Vista, Fogo e Brava, tendo então sido justificado com a ausência de transportes para a distribuição.

No caso de São Vicente, porém, assiste-se, segundo a mesma fonte, a “uma situação mais melindrosa”, com a tentativa de associar o problema actual a uma hipótese de açambarcamento.

Uma justificação que, no entender de Nelson Faria, não assenta em dados nem em informação disponível que a sustente.

Isto porque tal implicaria, continuou, que não houvesse qualquer garrafa vazia no mercado, quando, neste momento, são visíveis muitas garrafas vazias, tanto nos postos de venda como nas casas dos consumidores.

“Portanto, esta questão do alegado açambarcamento não nos convence. Trata-se de uma tentativa de desresponsabilização, de certa forma, por parte das operadoras quanto à falta do produto no mercado, colocando a responsabilidade na parte mais frágil, que é o consumidor”, afirmou Nelson Faria.

Neste sentido, a Adeco insta as empresas petrolíferas a assumirem plenamente a sua responsabilidade na distribuição deste bem essencial e a garantirem a sua disponibilização aos consumidores, algo que, segundo indicou, não tem acontecido, tendo em conta os sinais de ruptura.

Nelson Faria disse estar ciente de que a situação de guerra no Médio Oriente pode despoletar uma nova crise de disponibilidade a nível nacional, mas mostrou-se confiante na garantia dada pelo Governo de que os preços dos combustíveis não sofrerão alterações no mês de Abril e de que existem reservas no país.

“Posto isto, pedimos que as operadoras cumpram o seu papel, assegurem o acesso a este produto e o disponibilizem no mercado, para que os consumidores possam aceder ao mesmo de forma equitativa”, considerou.

A ilha de São Vicente regista, neste momento, a falta de outros produtos, como sal e alho, uma situação que, asseverou Nelson Faria, deve igualmente ser esclarecida pelas empresas importadoras, nomeadamente quanto às quantidades importadas e à sua colocação no mercado.

Por outro lado, apelou ao bom senso dos comerciantes, de modo a evitar o açambarcamento e a eventual venda a preços exorbitantes.

LN/JMV

Inforpress/Fim

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