
Espargos, 16 Mar (Inforpress) – O programa “+Saúde +Mulher Cabo Verde” foi apresentado publicamente hoje, no Sal, com o objectivo de reduzir a incidência e a mortalidade por cancro do colo do útero através da detecção precoce do Vírus do Papiloma Humano (VPH).
A iniciativa, que resulta de uma parceria entre a Associação Africa Avanza, o grupo RIU Hotels & Resorts, o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), pretende melhorar a qualidade de vida das mulheres cabo-verdianas através de rastreios e tratamentos especializados.
Durante a cerimónia, o delegado do grupo RIU em Cabo Verde, Yeray Zurita, destacou o “compromisso real” da empresa com o país, sublinhando que a responsabilidade social da cadeia começa com os seus próprios activos.
“Estamos convencidos de que apostar na mulher é o caminho mais rápido e directo para transformar e melhorar a vida das famílias e de toda a comunidade”, afirmou Zurita, revelando que mais de 50% das participantes no projecto-piloto, já em curso, foram colaboradoras do grupo RIU.
Por seu lado, a presidente do INSP, Maria da Luz Lima, visivelmente emocionada, considerou o cancro do colo do útero um “problema de saúde pública”, mas frisou tratar-se de uma doença “prevenível”.
A mesma fonte explicou que a introdução de novas tecnologias permite agora maior segurança no diagnóstico.
“Saber que a mulher fica descansada e que só deve fazer o segundo exame cinco anos depois é um ganho enorme para as mulheres e para o país”, disse.
Lembrou que, sem esta parceria, o custo financeiro seria a principal limitação para o acesso ao processo.
No acto de encerramento, a directora nacional da Saúde, Ângela Gomes, enfatizou que a campanha é complementar aos programas já instituídos pelo Ministério da Saúde e que o Governo tem investido na capacidade instalada em todas as ilhas, através de aparelhos GeneXpert.
“O cancro do colo do útero tem sido o terceiro cancro em Cabo Verde. Temos registado cerca de 50 casos anuais e, infelizmente, uma taxa de diagnóstico tardio acima dos 60%”, informou a directora, reforçando que o objectivo é reduzir estes números através do rastreio precoce.
Ângela Gomes deixou ainda um apelo às mulheres da ilha do Sal para aproveitarem a oportunidade do exame gratuito, lembrando que, embora a vacinação contra o HPV já cubra cerca de 95% dos adolescentes, o rastreio é fundamental para as mulheres que não tiveram acesso à vacina.
O projecto-piloto no Sal já realizou mais de 500 testes de HPV e a ambição dos parceiros é alargar a iniciativa, brevemente, à ilha da Boa Vista e, posteriormente, a todo o território nacional.
NA/JMV
Inforpress/fim
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