
Mindelo, 28 Fev (Inforpress) – A ilha de São Vicente deverá ter, dentro de seis meses, um aterro sanitário controlado para substituir a lixeira municipal, em Ribeira de Julião, que “exigia há muito uma solução estruturada, responsável e definitiva”.
Uma garantia dada hoje pela presidente da Agência Nacional de Águas e Saneamento (ANAS), Marize Gominho, durante o acto de lançamento da empreitada de construção do projecto, efectivado em parceria com a Câmara Municipal de São Vicente.
“Esta empreitada representa uma decisão concreta do Governo para enfrentar com determinação um problema que há muito exigia uma solução estruturada, responsável e definitiva”, sustentou, referindo-se à lixeira municipal a céu aberto existente até hoje.
Com o início da fase de execução do projecto, já consignado, está-se, conforme a mesma fonte, a virar a página da história ambiental em São Vicente “com responsabilidade, planeamento e visão de futuro”.
O aterro está orçado em cerca de 70 mil contos, financiado pelo Governo, através do Fundo do Ambiente, que busca “uma solução organizada e tecnicamente enquadrada”, clarificou Marize Gominho.
Tem uma área de cerca de oito hectares, equivalente a cerca de oito campos de futebol, e terá, ao serviço ,um camião basculante e máquina escavadora para auxiliar a capacidade operacional.
Da parte da câmara municipal, o vereador do Saneamento, José Carlos da Luz, asseverou que a obra de “grande envergadura” vai permitir dar aos resíduos sólidos urbanos um tratamento diferente.
Desta forma, contribuir, segundo a mesma fonte, para que São Vicente continue com o desiderato de ser uma ilha limpa, com o descarte de lixo de uma forma mais eficiente.
José Carlos da Luz informou ainda que a construção do aterro vai ser feita em colaboração com a comunidade local, já que muitos moradores tiram o seu sustento da lixeira, e “vão ficar incluídos no projecto”.
Em representação do Governo, o ministro do Mar, Jorge Santos, que presidiu ao acto de lançamento da obra, também enfatizou que o “mais importante” das valências do aterro é o aspecto educativo, ao envolver a população de Iraque (bairro espontâneo nascido nas redondezas), mas também todos os que trabalham na lixeira municipal.
O Governo, explicou o ministro, está, nesta primeira fase, a começar com um aterro controlado, mas o compromisso do poder central e do poder local é avançar com um aterro sanitário permitindo “maior organização, compactação e melhoria de todas as condições”.
A infra-estrutura, acrescentou, vai evitar ainda situações como a ocorrida com a tempestade Erin, em Agosto de 2025, em que boa parte dos resíduos da lixeira foram parar na Baía do Porto Grande com impacto na saúde das pessoas e das vidas marinhas.
O aterro controlado, de acordo com os promotores, é essencial para a gestão da lixeira a céu aberto, para a protecção da saúde pública e o meio ambiente, minimizando os impactos negativos, ao cobrir o lixo com terra e controlar o acesso.
Por outro lado, pretende-se reduzir a queima do lixo, diminuindo doenças e o risco de contaminação de lençóis freáticos e bacias hidrográficas da ilha.
LN/HF
Inforpress/Fim
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