
Porto Novo, 14 Fev (Inforpress) – Os representantes dos três grupos oficiais do Carnaval no Porto Novo, em Santo Antão, defenderam hoje a necessidade de se repensar a festa do Rei Momo neste município, marcado pelo fraco envolvimento das pessoas.
Maria Estevão, representante dos Viajantes do Espaço, lamentou o desinteresse dos porto-novenses em participar na preparação do desfile, prevendo que "por este andar, o Carnaval no Porto Novo pode estar com os dias contados".
Este grupo vai colocar na avenida principal da cidade do Porto Novo cerca de 80 foliões, um número que está muito aquém daquilo que os Viajantes do Espaço desejariam dado a recusa das pessoas em participar, avançou Maria Estevão.
“As pessoas não querem participar. Dizem que gostam mais de assistir, o que é muito complicado. Para assistir é preciso haver pessoas para fazer o Carnaval e está muito difícil”, lamentou esta activista cultural.
Os Viajantes do Espaço trazem como enredo a memória do Carnaval no concelho do Porto Novo, homenageados os antigos promotores desta festa.
O Fundo de Lombo Branco é outro grupo oficial que ultima os preparativos para o desfile da terça-feira, pretendendo sair com apenas 65 foliões uma vez que, segundo a representante, as pessoas não estão disponíveis para participar na preparação desta manifestação cultural.
Virgínia Sousa disse que o seu grupo está a deparar-se com "muitas dificuldades" na preparação do desfile, porque as ajudas são muito poucas para uma actividade desta dimensão.
O Fundo de Lombo Branco, que regressa ao desfile oficial depois de alguns anos ausentes, traz como enredo a mulher cabo-verdiana, enfatizando o papel desta camada social na sociedade.
Também, o Estrela do Mar está a ter vários percalços na preparação do desfile do dia 17 de Fevereiro, segundo a direcção deste grupo, que promete colocar nas ruas apenas 60 foliões, porque não conseguiu convencer mais pessoas para participar.
“As pessoas não querem participar. Tentamos convencê-las mais sem sucesso. Está a ser muito complicado organizar o Carnaval”, lamentou Michel, o representante do Estrela do Mar.
Os responsáveis dos grupos lamentaram também a falta de apoios das instituições públicas e privadas na promoção do Carnaval, admitindo que se não fosse o subsídio da câmara municipal (280 contos a cada grupo), seria "muito difícil” organizar o desfile.
Apesar dos problemas, os grupos prometem um desfile de qualidade para dignificar o Carnaval porto-novense.
A edil do Porto Novo, Elisa Pinheiro, havia lançado “um apelo à sensibilidade” dos serviços públicos e das empresas neste município “no sentido de apoiar o Carnaval, que representa a cultura, a identidade e o património imaterial”.
O apelo surgiu na sequência das declarações dos promotores do Carnaval segundo as quais tem sido praticamente inexistente o apoio a esta manifestação popular, que dinamiza a cultura e a economia local.
Os desfiles do Carnaval no município do Porto Novo iniciaram-se esta sexta-feira, 13, prolongando-se por cinco dias, segundo o programa divulgado pela edilidade porto-novense.
Os centros de dia, os jardins infantis, o liceu António Silva Pinto e os agrupamentos escolares da cidade do Porto Novo movimentaram o primeiro dia dos desfiles, que prosseguem neste sábado com a comunidade da Ribeira das Patas e com as crianças do centro do Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA).
No domingo, as atenções vão estar voltadas para mais um dia de desfile, desta fera das mendigas de Branquinho, na cidade do Porto Novo, prevendo-se para a segunda-feira o desfile do trio eléctrico pelas ruas desta urbe.
Na terça-feira, os três grupos oficiais, vão sair à rua no regresso do desfile oficial à avenida principal da cidade do Porto Novo, depois de três anos de ausência.
JM/JMV
Inforpress/Fim
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