
Ribeira Grande, 13 Fev (Inforpress) – A cidade da Ribeira Grande, em Santo Antão, ficará este ano sem Carnaval nas ruas, devido à ausência de grupos organizados para desfilar, numa festa que outrora mobilizava centenas de foliões e que hoje perde expressão e tradição.
A ausência da Escola Roberto Duarte Silva nas ruas foi hoje sentida na cidade da Ribeira Grande, onde, como era habitual, os alunos não saíram para animar o ambiente carnavalesco.
A única batucada ouvida veio das crianças do Jardim da Cruz Vermelha, que desfilaram pelas ruas para lembrar que o Carnaval está à porta.
O único grupo carnavalesco ainda activo, “Nos tud eh cumnidéd” (Somos todos comunidade, em português), de Mão para Trás, anunciou que este ano não vai desfilar, alegando falta de recursos financeiros para assegurar toda a logística do cortejo.
A informação foi avançada hoje à Inforpress por Fredson Fonseca, membro do grupo, que explicou que a decisão resulta da insuficiência dos apoios disponibilizados, o que inviabiliza a preparação de um desfile com qualidade e sem comprometer financeiramente a comunidade.
“Organizar um Carnaval exige tempo e também investimento. Não podemos penalizar a nossa comunidade, porque quando ficam dívidas somos nós que acabamos por pagar”, afirmou.
Segundo a mesma fonte, no ano passado o grupo apresentou à Câmara Municipal um projecto avaliado em cerca de 400 contos, mas recebeu inicialmente a indicação de que seriam disponibilizados apenas 50 contos. Mais tarde, o valor subiu para 100 contos, montante que, conforme explicou, nem chegou a ser disponibilizado na totalidade.
“Queremos brincar o Carnaval e fazer algo para o nosso povo, mas nestas condições não justifica”, sublinhou.
Fredson Fonseca referiu ainda que este ano, devido ao tempo reduzido, não foi possível organizar a iniciativa com antecedência suficiente para formalizar um projecto.
Ainda assim, considerou que já é tempo de a edilidade assumir um papel mais activo e apresentar uma proposta concreta para recuperar a tradição carnavalesca na cidade.
“Já está mais do que na hora de a Câmara apresentar uma contraproposta, de forma a conseguirmos resgatar o Carnaval aqui na Ribeira Grande”, defendeu.
A ausência do grupo “Nos tud eh cumnidéd” volta a evidenciar o declínio do Carnaval na Ribeira Grande, que nas décadas passadas, sobretudo nos anos 1990, era vivido com grande entusiasmo e constituía um dos momentos altos do calendário cultural da cidade, com concursos e forte adesão popular.
Nos últimos anos, registaram-se algumas tentativas de revitalização da festa do Rei Momo na cidade da Ribeira Grande, com destaque para o grupo de Ladeira, que trouxe novo brilho à celebração, e para o Hospital Regional João Morais, que chegou a colocar mais de 500 foliões nas ruas com temas ligados à promoção da saúde.
Entretanto, grupos tradicionais como Tarrafal e Penha de França deixaram de dinamizar os desfiles, contribuindo para que a festa perdesse expressão e caísse progressivamente no esquecimento.
Em contraste, na cidade da Ponta do Sol, o grupo Império da Vila deverá sair à rua este ano para animar o Carnaval naquela cidade.
LFS/JMV
Inforpress/Fim
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