
Cidade da Praia, 12 Fev (Inforpress) – O Festival Kontornu, dedicado à dança e artes performativas, inicia seu processo de internacionalização ao realizar a 4.ª edição em Águeda, Portugal, de 27 a 29 de Março, fortalecendo a mobilidade artística e cultural lusófona.
O anúncio foi feito durante a conferência de imprensa de apresentação das edições especiais do festival pelo director audiovisual do projecto, Márcio Martins.
Vincou que o festival “celebra uma década de trajectória artística, consolidando o Kontornu como referência no panorama da dança e das artes performativas contemporâneas”.
Segundo Martins, “esta expansão representa um passo histórico para o festival, abrindo novas oportunidades de cooperação internacional e marcando o início de uma jornada de colaborações fora do território nacional”.
Acrescentou ainda que “este primeiro movimento abre portas para artistas nas próximas edições, permitindo que criadores cabo-verdianos e de outras geografias participem de um espaço de visibilização e intercâmbio cultural”.
A iniciativa resulta de uma parceria com o município de Águeda, em Portugal, e instituições culturais portuguesas, criando uma ponte cultural atlântica e promovendo a mobilidade artística entre África, Europa e Américas.
O festival, cuja linguagem central é a dança, integra igualmente outras expressões artísticas, como circo, teatro e performance, assumindo uma visão multidisciplinar e pedagógica da arte, não apenas como entretenimento, mas como instrumento de formação, inclusão e transformação social.
Martins salientou que a programação para a infância “foca em peças que despertam o gosto pela arte desde cedo, funcionando também como um motor de pedagogia”.
A programação da extensão em Águeda estrutura-se em três eixos, nomeadamente, as actividades para a infância, formação e programação artística.
A vertente formativa integra workshops e acções pedagógicas, enquanto a programação artística reúne criadores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), da diáspora africana e de contextos afrodescendentes.
“Escolhemos artistas que, de alguma forma, têm uma relação entre o contemporâneo e a linguagem urbana, jovens que trazem experiências de imigração e vivência multicultural”, explicou Martins.
A curadoria aposta na valorização de artistas negros, africanos e afro-diaspóricos, reforçando o festival como plataforma de circulação artística internacional.
Segundo aquele responsável, “é muito importante lidar com pessoas que compreendam o contexto e tenham humanidade, garantindo qualidade artística e afinidade profissional”.
Entre os critérios assumidos pela organização estão a qualidade artística, a diversidade cultural, a representatividade identitária e o equilíbrio de género, princípio estruturante da programação.
Márcio Martins evidenciou que o festival se preocupa em “promover uma ocupação mais equitativa dos espaços artísticos, evitando a predominância histórica masculina nos festivais”.
A extensão internacional do Kontornu surge também em articulação com outros eventos culturais, nomeadamente, o circuito musical, reforçando a ligação entre dança e música, e funciona como pré-aquecimento para o Festival Oficial, que terá lugar em Cabo Verde entre 11 e 16 de Maio.
O projecto prevê ainda uma edição adicional em Setembro, dedicada a artistas brasileiros, numa lógica de cooperação internacional e captação de fundos externos.
O director do projecto reforça que “este primeiro movimento internacional reforça o papel do festival como instrumento de visibilização cultural e construção de redes entre continentes, projectando a criação cabo-verdiana no circuito internacional e abrindo oportunidades para futuras colaborações”.
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Inforpress/Fim
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