Cabo Verde e Portugal reforçam cooperação na saúde com foco na redução de transferências médicas

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Cabo Verde e Portugal reforçam cooperação na saúde com foco na redução de transferências médicas
28/01/26 - 08:30 pm

Cidade da Praia, 28 Jan (Inforpress) – O ministro da Saúde, Jorge Figueiredo, anunciou hoje que Cabo Verde e Portugal reforçam a cooperação na saúde, priorizando a redução das transferências médicas, a formação de especialistas e o aumento da autonomia do sistema nacional.

O governante falava à imprensa após uma reunião ministerial com a ministra da Saúde de Portugal, Ana Paula Martins, no âmbito da visita oficial de três dias que a dirigente portuguesa realiza ao arquipélago.

Segundo Jorge Figueiredo, Portugal continua a ser a “grande rectaguarda” de Cabo Verde no tratamento de doentes que ainda não podem ser assistidos no país, mas que o objectivo do governo cabo-verdiano é inverter progressivamente esse quadro.

“Discutimos profundamente a possibilidade de, paulatinamente, passarmos a resolver em Cabo Verde grande parte das situações que hoje obrigam à evacuação, nomeadamente nas áreas da oncologia, orto-traumatologia, cardiologia e oftalmologia”, afirmou.

De acordo com o ministro, Cabo Verde regista actualmente cerca de 350 autorizações de deslocação ou evacuação médica para Portugal por ano, número que o Governo pretende reduzir já a partir de 2026 para cerca de 150, actuando sobretudo nas patologias com maior impacto.

A estratégia passa, explicou, pelo reforço da formação especializada de quadros nacionais, através de concursos a lançar a partir de 2026, bem como pela presença temporária de especialistas portugueses no país.

Apesar de a formação de especialistas demorar entre quatro e cinco anos, Jorge Figueiredo assegurou que algumas áreas já permitirão resultados a curto prazo.

“Na Orto-Traumatologia já temos traumatologistas e ortopedistas, o que poderá permitir reduzir cerca de 30 por cento das evacuações. Na Cardiologia, com tratamentos como a colocação e substituição de pacemakers, também conseguiremos baixar significativamente esses números”, precisou.

Na área da Oncologia, o ministro vincou que Cabo Verde já realiza o diagnóstico e tratamento, mas ainda transfere doentes para radioterapia, situação que deverá mudar com a introdução desta valência no país até ao final do ano.

Actualmente, cerca de 18 por cento (%) dos doentes transferidos destinam-se a tratamentos de radioterapia.

Por sua vez a ministra da Saúde de Portugal, Ana Paula Martins, sublinhou que a cooperação entre os dois países é “longa, sólida e para continuar” pondo em evidencia áreas como a oftalmologia, a formação e treino de profissionais, a emergência médica pré-hospitalar, a vigilância epidemiológica, a resposta a catástrofes e a transformação digital.

A governante portuguesa considerou ainda que Cabo Verde está prestes a atingir um “marco absolutamente decisivo” com o início da área de transplantes, classificando esse passo como uma “viragem absoluta” no sistema de saúde cabo-verdiano e um sinal da entrada plena na medicina moderna.

KA/SR/JMV

Inforpress/Fim

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