
Cidade da Praia, 26 Jan (Inforpress) – O Liceu Domingos Ramos foi hoje palco de uma exposição dedicada às baleias e aos golfinhos em Cabo Verde com objectivo aumentar a consciencialização e o conhecimento da população sobre estes mamíferos marinhos.
Segundo a bióloga marinha da Associação ECO-CV Edita Magalevichute, que falava à Inforpress, esta exposição além de consciencializar apresenta ao mesmo tempo alguns dos resultados da expedição científica de monitorização realizada no verão de 2025, em parceria com a Direção Nacional do Ambiente.
Os dados recolhidos, continuou, demonstram que a concentração e a distribuição dos cetáceos nas águas cabo-verdianas ainda não são bem conhecidas.
À exceção da baleia-de-bossa, sobre a qual existe maior volume de informação, os habitats mais importantes das restantes espécies continuam por identificar.
Ainda segundo a mesma fonte, durante a expedição científica, foram, no entanto, identificadas duas zonas consideradas de grande relevância para os cetáceos, sendo uma localizada a sul da ilha de São Nicolau e outra a sul da ilha do Fogo.
Edita Magalevichute considerou que a monitorização de baleias e golfinhos é fundamental por estar diretamente relacionada com a proteção, conservação e gestão das atividades humanas que afetam estas espécies.
“Sem dados concretos sobre a sua localização, abundância e ameaças, torna-se impossível implementar medidas eficazes de gestão e conservação”, disse a responsável.
A bióloga destacou que nos últimos três a quatro séculos, as actividades humanas no mar aumentaram significativamente e, em Cabo Verde, esse crescimento tem tido impacto em áreas como a pesca, o turismo mal regulamentado, o tráfego marítimo e a poluição marinha e costeira.
“A simples presença humana pode provocar perturbações nos cetáceos, sobretudo quando embarcações se aproximam rapidamente, interferindo com comportamentos essenciais como a reprodução, alimentação e descanso”, garantiu a bióloga.
Edita Magalevichute disse que a ECO-CV integra o Comité Nacional de Conservação de Cetáceos e participa activamente no desenvolvimento de códigos de conduta para a observação científica e recreativa, e que os dados obtidos durante as monitorizações são entregues à Direção Nacional do Ambiente.
“Isso vai permitir que as autoridades definam medidas de gestão adequadas”, disse.
Entre os principais desafios identificados está a fraca fiscalização das atividades no mar, associada não só à escassez de recursos humanos, mas também à falta de consciência sobre as necessidades destes animais, que são mamíferos e podem viver entre 50 e 60 anos.
Algumas espécies são residentes e ocupam áreas muito específicas, o que as torna particularmente vulneráveis a impactos como a pesca, o bycatch (captura acidental) e outras ameaças, podendo resultar em arrojamentos.
Um desses casos ocorreu recentemente na ilha do Sal, com o encalhe de um cachalote numa das praias, reforçando a necessidade de sensibilização da população.
A bióloga explicou que esta exposição tem “uma forte componente educativa”, estando atualmente a ser apresentada em contexto escolar, com o objetivo de sensibilizar os alunos para a importância das baleias e dos golfinhos no ecossistema marinho.
Segundo os promotores, a adesão dos estudantes tem sido muito positiva, marcada por elevada curiosidade e interesse, considerados essenciais para o processo de aprendizagem.
JBR/AA
Inforpress/Fim
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