
Cidade da Praia, 22 Jan (Inforpress) - O grupo parlamentar do PAICV defendeu hoje a instituição de uma sessão solene para assinalar o 20 de Janeiro, Dia dos Heróis Nacionais, à semelhança do que acontece com o 13 de Janeiro e o 05 de Julho.
O apelo foi lançado pelo deputado Francisco Pereira, durante uma declaração política, lida no parlamento, sublinhando que a data é uma das “mais simbólicas” da história de Cabo Verde e merece um reconhecimento institucional superior pela sua “centralidade histórica e simbólica”.
Para o maior partido da oposição, celebrar o 20 de Janeiro com a solenidade devida é uma forma de renovar o compromisso ético e político contra a pobreza e as desigualdades, promovendo um país mais inclusivo e solidário.
Francisco Pereira, eleito pela comunidade no exterior, destacou o legado de Amílcar Cabral, apelidando-o de “pai da nacionalidade” e “referência maior”, realçando o seu papel na condução da luta anticolonial e na defesa da dignidade humana.
O deputado aproveitou a ocasião para homenagear todos os combatentes da liberdade, desde intelectuais a camponeses, operários, jovens e mulheres, que lutaram pela libertação do país.
“Os valores que guiaram a luta, como unidade, ética, sacrifício e responsabilidade, são, para o PAICV, princípios ainda indispensáveis ao desenvolvimento do país”, sublinhou o parlamentar, defendendo que a celebração da data deve ir “além da retórica” e servir como momento de reflexão sobre a realidade actual de Cabo Verde.
Francisco Pereira recordou ao MpD (partido no poder) que “governar é servir” e que a independência só tem sentido se melhorar de forma concreta a vida das pessoas, sublinhando que os combatentes da liberdade não lutaram para criar elites afastadas do povo, mas para construir um Estado ao serviço da nação.
Embora o partido reconheça avanços institucionais e estabilidade no pós‑independência, o deputado alertou para as “desigualdades persistentes”, vulnerabilidades económicas, dificuldades no acesso a serviços essenciais e o aumento do desemprego jovem, que continuam a empurrar muitos para a emigração.
O porta-voz do grupo parlamentar do PAICV apontou ainda fragilidades em sectores como a saúde, habitação e transportes, considerando existir uma “crescente distância” entre o Estado e os cidadãos.
Cabo Verde, defendeu Francisco Pereira, necessita de “mais acção e menos propaganda” bem como de políticas mais inclusivas e uma relação mais estratégica com a diáspora cabo-verdiana.
DG/CP
Inforpress/Fim
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