
Cidade da Praia, 21 Jan (Inforpress) – O conferencista Eleutério Afonso apelou hoje à união entre jovens e educadores para enfrentarem um futuro que “já está a acontecer”, defendendo ainda a necessidade de diálogo intergeracional como forma de responder às incertezas do tempo actual.
O responsável falava à Inforpress, no âmbito da conferência intitulada “Geração Z e Educação para a Cidadania”, promovida pela Presidência da República.
O evento insere-se na Semana da República, que decorre desde o dia 13 de Janeiro, Dia da Liberdade e da Democracia, sob o lema “Cabo Verde: novas vozes, novos caminhos” e convida à partilha de ideias sobre como educar e inspirar as novas gerações para uma cidadania ativa e consciente.
Ao abordar os desafios da educação para a cidadania, dirigidos à geração nascida depois de 1994, Eleutério Afonso afirmou que é preciso não romantizar nenhuma geração.
“Porque, acima de tudo, é preciso identificar o género próximo a que pertencem. São seres humanos. São filhos de uma mulher e de um homem. E é complicado acreditarmos que terá havido um corte geracional”, justificou.
Acrescentou que quem acompanha o processo educativo em Cabo Verde há mais de 30 anos não sente propriamente um corte, mas uma geração de pessoas que usufruem e fazem, como entenderam, das ofertas do seu tempo.
Recordou que as gerações anteriores foram marcadas por forte engajamento político desde a infância, sobretudo no período pós-independência, em que o compromisso com o trabalho, os estudos e o partido era em primeiro lugar.
“E às tantas deixamos a infância viver numa perspectiva não engajada politicamente, acreditando que estaríamos a dar uma certa liberdade. Infelizmente, muito do que chamamos geração Z se perdeu”, sublinhou”, defendendo que hoje é preciso recuperar o tempo perdido com metas sociais e políticas para a infância e adolescente.
Daí que convidou a juventude, que tem muita informação, a se unir aos seus próprios educadores no sentido de juntos construírem esse futuro que, segundo disse, não espera e já está a acontecer.
“Porque muitos de nós também vivemos as incertezas deste tempo, noutros tempos. E foi sempre no diálogo intergeracional que se conseguiu encontrar as respostas”, frisou, tendo sugerido ainda políticas públicas que fortaleçam a família, aliviam o fardo da mãe e favorecem o exercício da maternidade.
Com este evento, o Presidente da República lembra que o futuro de Cabo Verde depende da capacidade coletiva de ouvir, integrar e valorizar as novas vozes, abrindo caminhos para uma sociedade mais inclusiva, inovadora e solidária.
ET/JMV
Inforpress/Fim
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