Ilha do Sal: Agente prisional “quebra paradigmas” e ascende na hierarquia provando que liderança não tem género

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Ilha do Sal: Agente prisional “quebra paradigmas” e ascende na hierarquia provando que liderança não tem género
08/03/25 - 05:00 am

Espargos, 07 Mar (Inforpress) – A agente prisional, subchefe nível um, Sheila Gote, trilhou o caminho de superação num ambiente historicamente dominado por homens e quebrou paradigmas numa área predominantemente masculina, ascendendo na função até se tornar oficial de serviço.

Em declarações à Inforpress, no âmbito das celebrações do Dia Internacional da Mulher, celebrado a 08 de Março, Sheila Gote relembrou a sua trajetória de superação, tendo enfrentando desde o início, o desafio de provar a sua capacidade numa profissão onde a força física era vista como essencial, além de desconstruir o preconceito de que mulheres não são capazes de impor respeito e autoridade. 

Com 19 anos de experiência como agente prisional, Sheila Gote desafiou estereótipos e conquistou o seu espaço em um “ambiente masculino”, ascendeu no ano passado à posição de subchefe, numa jornada marcada pela luta para ser reconhecida como líder de segurança prisional.

Desde o início, conforme contou, enfrentou o desafio de provar a sua capacidade em uma profissão onde a força física era vista como requisito essencial, até a desconstrução do preconceito de que mulheres não são capazes de impor respeito e autoridade.

"Foi um pouco difícil, tive que ultrapassar todos os obstáculos e a descrença na capacidade de uma mulher liderar uma cadeia, com uma população carcerária maioritariamente masculina”, explicou. 

A mesma fonte sublinhou que foi preciso lutar por vários anos para provar que a verdadeira liderança “reside na inteligência, na organização e na capacidade de estruturar”, qualidades que, segundo disse, são inerentes às mulheres.

"Consegui mostrar que para liderar não é preciso força, mas sim conseguir ter cabeça para liderar, e nós, mulheres, temos isso em nós", afirmou.

A agente prisional destaca que um dos maiores obstáculos foi "ultrapassar a barreira que colocaram para as mulheres” segundo a qual elas “não conseguem fazer certos trabalhos” que rotulam como sendo para os homens e desconstruir o pensamento de que as “mulheres não conseguem impor respeito e autoridade". 

A força para superar esses desafios, disse, vem de sua mãe, que a ensinou a nunca ser submissa e a acreditar no seu potencial, juntando o apoio da família, especialmente do marido, que para Sheila Gote, é “fundamental” para conciliar a vida profissional com a pessoal.

Destacou que, apesar da “rotina estressante”, um dos seus “pontos fortes” é a organização, a que se junta o apoio da família, o que, acredita, torna as coisas “mais leves", mas revelou também que a aprendeu a “levar a vida com leveza”, priorizando o que realmente importa e pedindo ajuda quando necessário. 

"Nós, mulheres, tentamos colocar muitas cargas em cima das nossas costas, quando não deveria ser assim e sim saber pedir ajuda quando não conseguimos e não acumular tudo para nós", alertou.

Sheila Gote acrescentou que trabalhar em um ambiente carcerário a ensinou a valorizar a vida e a importância de todas as mulheres saberem lutar pelos seus lugares na sociedade, acrescentando que enquanto mulher e mãe, o seu maior encargo é a educação da filha que quer que cresça sabendo que pode ser o que quiser. 

A agente prisional concluiu, apelando a todas as mães a ensinarem os seus filhos a terem seus próprios objectivos e a lutarem por eles.

“O futuro depende de uma sociedade mais justa e igualitária, mas temos que continuar a caminhar para frente e a lutar para estar lá onde nós queremos e merecemos, e a ensinar os nossos filhos que todos podem chegar onde quiserem", concluiu.

NA/JMV

Inforpress/Fim

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