
Cidade da Praia, 04 Nov (Inforpress) – O documentário “Inattendu”, dos investigadores cabo-verdianos Aleida Vieira e Bernardino Tavares, retrata experiências migratórias de famílias cabo-verdianas no Luxemburgo e será apresentado a 10 de Novembro, na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), cidade da Praia.
A exibição terá lugar no Campus do Palmarejo Grande, no âmbito do II Seminário Internacional REGEA – “Repensar o Género a partir de África: Tecendo Redes, Reparando Histórias”.
Em declarações à Inforpress, Aleida Vieira explicou que o filme pretende mostrar dimensões da migração frequentemente invisíveis, sobretudo no seio das famílias e entre aqueles que viveram essa experiência.
“Mais do que dar voz às famílias cabo-verdianas, o filme-documentário ‘Inattendu’ tem como objectivo mostrar o lado da migração que muitas vezes tende a ficar invisível”, afirmou.
Realizado no âmbito do projecto académico DisPOSEG, da Universidade do Luxemburgo, o documentário resulta de anos de pesquisa sobre a interacção entre grupos de migrantes de origem lusófona naquele país.
Segundo Aleida Vieira, sendo os cabo-verdianos o maior grupo de origem africana no Luxemburgo, tornou-se importante retratar as suas trajectórias através das narrativas dos próprios migrantes, desde a partida até à chegada ao país de acolhimento.
As histórias incluem experiências de esperança, lágrimas, desafios, reencontros e recomeços, mostrando que os percursos migratórios nem sempre seguem os planos iniciais.
A investigadora explicou que o título “Inattendu”, que significa “inesperado”, remete para a chegada dos primeiros cabo-verdianos ao Luxemburgo. Muitos tinham como destino os Países-Baixos, mas, após uma passagem por Lisboa, descobriram oportunidades de trabalho no Grão-Ducado e alteraram a rota.
“Além da chegada inesperada dos primeiros cabo-verdianos, a vida no Luxemburgo continua até aos dias de hoje a ser um acumular de eventos inesperados que vão desde ascensões sociais não esperadas à desilusão de não ter ainda alcançado níveis ambicionados após mais de 60 anos de presença no país”, explicou.
A produção retrata diferentes fases da migração, desde antes da independência de Cabo Verde, passando pelo período posterior a 1975, até às partidas dos anos 1980.
Aleida Vieira espera que o filme incentive a partilha de experiências nas famílias e ajude as novas gerações da diáspora a conhecer melhor as suas origens.
“Queremos tornar visíveis aspectos guardados em gavetas e nas memórias”, sublinhou, defendendo o reconhecimento das oportunidades proporcionadas pela migração e a identificação de desafios persistentes no trabalho, na educação, nas questões linguísticas e na integração social.
A investigadora considera ainda que o documentário poderá promover uma reflexão sobre a origem e evolução da relação entre Cabo Verde e Luxemburgo, um dos principais parceiros de cooperação do arquipélago.
DR/ZS
Inforpress/Fim
Partilhar