
Mindelo, 27 Out (Inforpress) – A Empresa Nacional de Administração dos Portos (Enapor) vai avançar com um estudo para avaliar o impacto dos cruzeiros na economia local, identificar oportunidades de melhoria e aumentar os benefícios financeiros para São Vicente e outras ilhas.
O anúncio foi feito hoje, pelo presidente do conselho de administração da Enapor, Hamir Inocêncio, à margem da cerimónia de recepção dos passageiros do navio AIDAsol, que assinalou o arranque da temporada de cruzeiros 2026/2027.
Segundo aquele responsável, a decisão de realizar o estudo já foi tomada pelo conselho de administração, estando previsto o lançamento de um concurso nos próximos dias para a contratação da entidade responsável pela sua execução.
“Vamos desencadear um estudo para ver efectivamente qual é o impacto real dos cruzeiros na economia de São Vicente e nas outras ilhas”, afirmou Hamir Inocêncio, que considera necessário dispor de dados fiáveis para identificar as áreas que podem ser melhoradas e as oportunidades de negócio que permitam à população beneficiar mais da actividade.
O presidente do conselho de administração da Enapor adiantou que cerca de 50% dos passageiros de cruzeiros realizam excursões, mas defendeu a necessidade de avaliar outros aspectos da oferta turística, de modo a perceber como a ilha poderá atrair mais visitantes e aumentar as receitas geradas durante as escalas.
Hamir Inocêncio sublinhou que a promoção internacional dos cruzeiros e do destino Cabo Verde, desenvolvida pela Enapor, deve ser acompanhada pelo envolvimento da população, das câmaras municipais e das demais entidades ligadas ao sector.
“A Enapor promove os cruzeiros, mas nós queremos que a cidade também abrace e possa sentir os efeitos do novo terminal, da vinda dos cruzeiros e da promoção que a Enapor tem feito”, declarou.
Aquele responsável apontou como referência a experiência do terminal de cruzeiros de Lisboa, que visitou recentemente, bem como as experiências de outros destinos da Macaronésia, nomeadamente Las Palmas e os Açores, onde, segundo afirmou, a população consegue sentir os efeitos económicos da actividade.
Para Hamir Inocêncio, o objectivo é que Cabo Verde consiga igualmente fazer com que os benefícios dos cruzeiros cheguem à população, através de uma oferta turística diversificada e de uma maior articulação entre os diferentes intervenientes.
A mesma fonte defendeu ainda a criação de mais opções para os passageiros durante o período de permanência dos navios, incluindo excursões a outras ilhas, referindo que a tarifa única de passageiro, já decidida pelo Governo, deverá facilitar as deslocações dos cruzeiristas para destinos como Santo Antão e São Nicolau.
Actualmente, explicou, as escalas decorrem, normalmente, entre as 06:00 e as 18:00, mas a Enapor pretende criar condições para prolongar esse período até às 22:00 ou 23:00, à semelhança do que acontece noutros destinos.
Para tal, considerou necessário reforçar a oferta de actividades e experiências que mantenham os visitantes ocupados durante mais tempo, contribuindo para aumentar os gastos dos passageiros na economia local.
Relativamente à temporada 2026/2027, Hamir Inocêncio indicou que a Enapor prevê atingir as 200 escalas e receber cerca de 100 mil passageiros, manifestando a expectativa de que o novo terminal de cruzeiros tenha um impacto crescente na economia de São Vicente.
CD/ZS
Inforpress/Fim
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