
Ribeira Grande, 14 Out (Inforpress) – A técnica de raio-X Suellen Pereira denunciou hoje o atraso no pagamento de quase oito meses de subsídios pelo regime de chamada e alegadas tentativas de intimidação no Hospital Regional João Morais, em Santo Antão.
Em declarações à Inforpress, Suellen Pereira afirmou estar desgastada com os sucessivos esforços para receber os subsídios em atraso e revelou que, após várias tentativas frustradas, foi alvo de uma advertência disciplinar por ter decidido deixar de prestar serviço em regime de chamada.
“Estou a fazer o serviço, mas não ando a ser remunerada. É um serviço muito delicado, porque, no regime de chamada, não existe horário e podemos ser contactados a qualquer hora”, explicou.
Segundo a técnica, o regime de chamada é uma modalidade de prestação de serviço ao hospital após o horário normal de trabalho. Acrescentou que, por residir perto do local de trabalho, é frequentemente chamada para atender casos mais graves, sobretudo aos fins de semana.
“Antes de tomar a decisão de sair do regime de chamada, informei à direcção do hospital que, a partir do mês de Outubro, não iria fazer mais esse serviço. Pediram-me serenidade, mas, posteriormente, o director instaurou-me um processo disciplinar”, contou.
A mesma fonte afirmou que, desde que a actual direcção assumiu funções, tem havido situações de intimidação dos funcionários.
“Sinto-me perseguida, com chamadas frequentes ao gabinete do director. Temos uma direcção que não ajuda, não acolhe na resolução dos problemas”, desabafou.
Contactado pela Inforpress, o director do Hospital Regional João Morais, Nilton Sousa, negou as acusações de intimidação dos funcionários, defendendo que “a administração hospitalar sempre privilegia a pedagogia com os funcionários”.
Relativamente ao atraso no pagamento dos subsídios pelo regime de chamada, Nilton Sousa afirmou compreender a reivindicação da técnica de raio-X, que integra uma lista de regularização de vínculos precários, juntamente com funcionários de outras áreas. Acrescentou, contudo, que a administração tem envidado esforços junto da tutela, na Praia, para resolver a situação.
“Sabemos que é um direito dela, mas existem certos comportamentos na organização que não podemos coadjuvar. Mesmo que a técnica Suellen ou outros funcionários estejam com défices em receber os subsídios, isso não implica o abandono do serviço, porque pode trazer consequências gravosas para a vida dos utentes”, alertou.
Questionado sobre a advertência disciplinar por escrito, o director explicou que a medida foi adoptada no âmbito da lei e está relacionada com uma chamada feita à técnica no dia 10 de Outubro, para verificar uma possível fractura numa utente, serviço que, segundo afirmou, não foi prestado, tendo sido necessário recorrer a outra profissional.
“Advertimos no sentido de precaver o seu comportamento, mas não se trata de um processo disciplinar, porque privilegiamos a pedagogia inicial, para que ela possa melhorar. Ela não pode omitir os seus deveres enquanto profissional da estrutura”, justificou.
Segundo Nilton Sousa, a técnica em causa “tem um registo de vários incumprimentos no exercício das funções”, o que, na sua perspectiva, justifica a actuação da administração, que tem de zelar pela boa gestão da instituição hospitalar.
Por sua vez, Suellen Pereira, que trabalha há 16 anos no Hospital Regional João Morais, manifestou o desejo de ver o problema resolvido, alegando que a situação lhe tem provocado esgotamento psicológico, cansaço e constrangimentos familiares.
EL/JMV
Inforpress/Fim
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