Parentalidade consciente exige compreender comportamento da criança antes de a rotular – especialista

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Parentalidade consciente exige compreender comportamento da criança antes de a rotular – especialista
16/09/26 - 06:39 pm

Cidade da Praia, 16 Set (Inforpress) – A especialista em desenvolvimento parental Érica Correia defendeu hoje que compreender o comportamento infantil antes de julgar ou punir é essencial para uma educação consciente, empática e adequada ao desenvolvimento da criança.

Em declarações à Inforpress, à margem do workshop “Compreender para Educar: o que está por trás do comportamento da criança?”, Érica Correia explicou que a parentalidade consciente é frequentemente confundida com a parentalidade permissiva ou com modelos tradicionais de educação.

Segundo a especialista, compreender o desenvolvimento infantil permite perceber que determinados comportamentos resultam da própria imaturidade cerebral da criança, não devendo ser imediatamente associados a rótulos ou julgamentos.

“Se um pai, se uma mãe ou se um educador perceber a maturação do cérebro da criança, vai entender que a criança está a comportar-se desta forma por causa da sua capacidade imatura do cérebro”, explicou.

Érica Correia salientou que uma das principais ferramentas dos pais consiste em compreender o que está por detrás de cada comportamento e, antes de procurar regular a criança, aprender a regular as próprias emoções.

 

“Nós vivemos praticamente num mundo onde educamos na base do piloto automático”, afirmou, considerando que muitos pais acabam por reproduzir nos filhos os modelos educativos que receberam durante a infância, sem reflectir sobre as suas consequências.

Para a especialista, a expressão frequentemente utilizada por alguns pais, “eu fui criada assim e não morri”, não deve servir para justificar práticas educativas duras ou repreensivas, uma vez que sobreviver não significa necessariamente ausência de marcas emocionais.

“Não morreste, mas como é que tu estás por dentro? Qual é a mágoa que tu carregas? Qual é a dor que tu carregas?”, questionou.

Neste sentido, defendeu que os pais devem interromper a reprodução automática de padrões familiares e desenvolver uma educação baseada numa maior consciência das necessidades e características de cada criança.

Considerou ainda que o desenvolvimento da autonomia, identidade, autoestima e segurança emocional deve começar desde cedo, ajudando a criança a construir referências que lhe permitam tomar decisões e enfrentar diferentes situações ao longo da vida.

A especialista, residente na Suíça e formada em Psicologia, com especialização em desenvolvimento infantil e várias formações na área da orientação parental, indicou que pretende igualmente trabalhar com a população temas relacionados com “crenças e padrões”, que considera fundamentais para a mudança dos ciclos educativos.

“Precisamos de cortar padrões, precisamos de cortar ciclos. Quando cortamos padrões e ciclos, só aí conseguimos educar com mais consciência”, defendeu.

O workshop, promovido pela Câmara Municipal da Praia, reúne pais, educadores, monitores e profissionais que trabalham directamente com crianças, com o propósito de abordar os factores que podem estar na origem dos comportamentos infantis e apresentar ferramentas para uma abordagem educativa mais empática.

KA/JMV

Inforpress/Fim

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