
Cidade da Praia, 03 Set (Inforpress) - O Presidente da República afirmou hoje que se considera “muito melhor Presidente” do que era em 2021, atribuindo essa evolução à aprendizagem proporcionada pelo exercício do cargo, pelo diálogo, pela reflexão sobre as questões políticas e constitucionais.
José Maria Neves fez estas afirmações durante o lançamento do quinto volume da sua obra “No Ofício do Bem Comum - Volume V”, ocasião em que partilhou algumas experiências do exercício como Presidente da República e defendeu uma concepção da política como um espaço de aprendizagem, tolerância e abertura à mudança de opinião.
“Hoje sou muito melhor Presidente do que em 2021 porque fui aprendendo. Fui aprendendo com a opinião, com as discussões e, muitas vezes, com os conselheiros”, afirmou.
O Chefe de Estado disse que o exercício da Presidência exige uma “aprendizagem permanente”, sobretudo por se tratar de uma função que, no sistema político cabo-verdiano, deve assumir-se como árbitra e moderadora.
“Temos que estar abertos, como diz Fernando Pessoa, para a eterna novidade do mundo, ir criando, ir aprendendo a ser Presidente da República”, declarou.
José Maria Neves considerou que uma das questões que mais o tem levado à reflexão é precisamente a forma de “densificar” a função presidencial enquanto árbitro e moderador do sistema político, tendo em conta que o Presidente não exerce funções executivas.
Para o alto magistrado da Nação, a magistratura de influência constitui uma dimensão fundamental do cargo e “não tem limites”, embora deva ser exercida sempre nos termos da Constituição e das demais leis da República.
Durante a sua intervenção, José Maria Neves destacou igualmente a importância da capacidade de ouvir os outros e de rever decisões.
“Se a gente conceber a política como um espaço de aprendizado e, sobretudo, de muita tolerância, para aceitar o outro, aceitar as suas ideias e poder até mudar de opinião”, defendeu, acrescentando que este volume é “muito melhor” do que o primeiro e que mesmo os discursos são também melhores.
Falou ainda sobre Experiência e improviso, revelando também que, em algumas ocasiões, opta por improvisar os seus discursos, mesmo quando dispõe de uma intervenção previamente preparada pelos seus conselheiros.
“Às vezes faço discurso de improviso, atento aos contornos e aos meandros de cada momento e de cada acontecimento”, afirmou, acrescentando que, muitas vezes, chega ao momento da intervenção e conclui que precisa de fazer um “upgrade” ao discurso preparado.
O Chefe de Estado considerou ainda que o quinto volume da obra, à semelhança dos anteriores, permite acompanhar os diferentes assuntos sobre os quais se pronunciou enquanto Presidente e evidencia também o exercício dos poderes que derivam das normas constitucionais.
“Espero que a leitura deste último volume, que complementa os outros, sobre os mais diferentes assuntos sobre os quais o Presidente da República se pronunciou, mostre um pouco o exercício dos poderes que derivam mais das normas constitucionais”, afirmou.
DG/ZS
Inforpress/Fim
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