
Cidade da Praia, 03 Set (Inforpress) - O presidente da Associação de Taxistas da Praia, Adriano Monteiro, alertou hoje que o aumento dos combustíveis está a sufocar o sector e defendeu um reajuste urgente das tarifas, admitindo paralisação da classe caso as autoridades não tomem medidas.
Em entrevista à Inforpress, o líder associativo explicou que, com os recentes aumentos do combustível, a despesa diária dos profissionais disparou.
Para atenuar os prejuízos, a Associação está a solicitar uma audiência com a Câmara Municipal da Praia com vista ao reajuste das tarifas, que, segundo Adriano Monteiro, estão estagnadas há vários anos.
Enquanto não é concluído o processo de implementação obrigatória de taxímetros na capital, a proposta passa por um aumento temporário de 50 escudos em cada corrida.
“Como não temos taxímetro, o que estamos a pensar é aumentar mais 50 escudos em cada serviço prestado. Por exemplo, uma corrida de 150 escudos passa para 200, e de 200 passa para 250”, avançou Adriano Monteiro, sublinhando que a medida servirá de “bengala” temporária.
Como alternativa de modernização, o responsável realçou a adesão crescente a uma aplicação digital - já utilizada por cerca de 100 táxis -, que, conforme referiu, permite definir e actualizar antecipadamente o valor das deslocações.
Para além da escalada dos combustíveis, a proliferação da concorrência desleal é apontada como um dos maiores entraves à regulação e sustentabilidade do sector, estimando-se que existam cerca de 1.000 veículos clandestinos a operar na Praia, um número superior aos 750 táxis devidamente licenciados.
“Nós pagamos impostos, alvará e cumprimos exigências, enquanto outros aparecem do nada, trabalham por preços mais baixos porque não têm compromissos fiscais. O sector está desmotivado e revoltado”, desabafou.
Segundo a mesma fonte, a conjugação destes factores já levou ao encerramento de actividades, fazendo com que cerca de 100 táxis estejam actualmente parados na cidade da Praia, uma situação devida também à falta de mão de obra provocada pela emigração de mais de 200 taxistas nos últimos dois anos, maioritariamente para Portugal.
Adriano Monteiro listou ainda outros problemas que afectam o quotidiano da classe, como as estradas degradadas e esburacadas, o congestionamento constante do trânsito na capital - que exige vias alternativas -, a sinalização deficiente, congelamento salarial há mais de dois anos e a falta de inscrição de muitos condutores no Instituto Nacional de Previdência Social (INPS).
Apesar do cenário de insatisfação, a Associação de Taxistas da Praia apela ao “bom senso” e à intervenção urgente do Governo e das autoridades municipais no reforço da fiscalização e na reorganização do trânsito.
Caso as reivindicações continuem sem resposta, a paralisação do sector será inevitável.
“Não queremos partir para manifestações ou paralisações, mas, a continuar assim, não fugimos disso. Se os combustíveis continuarem a aumentar e as autoridades não zelarem por nós, a solução é parar os táxis”, alertou Adriano Monteiro, aproveitando ainda para apelar à união da classe e à inscrição dos profissionais na sede da associação, no Mercado de Achadinha.
SC/JMV
Inforpress/Fim
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