
Sal Rei, 25 Ago (Inforpress) – Condutores de motos eléctricas de três rodas, conhecidas como “tuk-tuks”, na Boa Vista, manifestaram-se hoje surpreendidos e indignados com a apreensão dos veículos pela Polícia Nacional, alegando falta de aviso prévio e de sensibilização sobre os requisitos técnicos exigidos.
Em declarações à Inforpress, o grupo de condutores indicou que a maioria foi abordada durante as suas actividades diárias, no âmbito de uma operação de fiscalização destes veículos, tendo sido exigida a instalação de luz de marcha-atrás, equipamento que, segundo os condutores, as motos de “origem chinesa” não trazem de fábrica.
Masinho Furtado contou que foi parado pela Polícia Nacional quando transportava refeições para crianças de uma colónia de férias, numa moto emprestada pelo seu compadre, tendo ficado com a carta de condução retida na esquadra.
“A documentação do veículo e a minha carta estavam totalmente em regra. Fomos apanhados de surpresa porque nunca tinha sido feita uma fiscalização com este tipo de exigência para estas motos na Boa Vista”, afirmou Masinho Furtado.
O condutor defendeu que as autoridades deveriam ter concedido um período de adaptação ou feito um aviso prévio, de modo a permitir aos proprietários resolver a situação junto dos mecânicos. Acrescentou que, apesar de conhecer as regras de trânsito, não sabe em que categoria estes veículos estão enquadrados perante a lei.
Por sua vez, o condutor Armindo Lima, afectado pela paralisação do serviço de distribuição diária de pão na cidade de Sal Rei, destacou que estes veículos eléctricos já vêm com determinadas características de fábrica e que as alterações exigidas requerem tempo e custos que não podem ser resolvidos de imediato.
Segundo o condutor, além da retenção dos documentos e da apreensão dos veículos desde ontem, foi aplicada uma multa de cinco mil escudos.
A Polícia Nacional terá ainda exigido que os proprietários levassem mecânicos ao pátio da esquadra para adaptarem o sistema de iluminação antes de os veículos poderem sair.
Entretanto, Armindo Lima adiantou que os “tuk-tuks” foram devolvidos hoje, mas com a advertência de que não podem voltar a ser utilizados sem que seja efectuada a adaptação exigida.
Os condutores defenderam a necessidade de bom senso e flexibilidade por parte das autoridades de trânsito, frisando que a medida está a deixar vários chefes de família sem o seu ganha-pão diário na ilha.
A Inforpress aguarda um posicionamento da Polícia Nacional para esclarecer os critérios da operação de fiscalização e as exigências do Código da Estrada para a circulação destes veículos na via pública.
MGL/JMV
Inforpress/Fim
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