
Pequim, 26 Jul (Inforpress) – Cabo Verde pretende orientar as bolsas de estudo disponibilizadas pela China para áreas prioritárias ao desenvolvimento nacional, privilegiando a qualidade da formação e a adequação dos cursos às necessidades estratégicas do país.
Em entrevista conjunta à Inforpress e à RTC, o embaixador de Cabo Verde na China, Arlindo do Rosário, defendeu que a cooperação educativa deve centrar-se na formação de quadros em áreas com impacto direto no desenvolvimento do arquipélago.
“Não é apenas a questão de aumentar o número de bolsas. É a qualidade das bolsas, quais são as disciplinas, quais são os cursos que realmente nos interessam”, afirmou.
Segundo o diplomata, a cooperação no domínio da educação continua a ser um dos pilares das relações bilaterais, estando atualmente cerca de 200 estudantes cabo-verdianos a frequentar instituições de ensino na China continental e em Macau.
Arlindo do Rosário considerou que a formação na China constitui uma oportunidade para reforçar competências em setores estratégicos, beneficiando da experiência chinesa em áreas como tecnologia, inovação e desenvolvimento.
Defendeu, por isso, que a cooperação sino-cabo-verdiana continue a apostar na formação de recursos humanos, mas com uma abordagem orientada para resultados e para o impacto do investimento no desenvolvimento do país.
O embaixador afirmou ainda que as relações entre Cabo Verde e a China, que este ano assinalam 50 anos de relações diplomáticas, atravessam uma fase de consolidação, abrangendo setores como educação, saúde e agricultura.
Na sua perspectiva, há margem para reforçar a cooperação descentralizada, através de parcerias entre universidades, instituições e cidades dos dois países, de forma a responder melhor às necessidades locais.
Arlindo do Rosário salientou igualmente que a experiência chinesa evidencia a importância do planeamento e da formação para o desenvolvimento, defendendo que essas práticas podem ser adaptadas à realidade cabo-verdiana.
Além das bolsas de estudo, a cooperação educativa entre os dois países inclui intercâmbios académicos e programas de formação de curta duração destinados a estudantes e profissionais cabo-verdianos.
Para o diplomata, o principal desafio passa por assegurar que estas oportunidades de formação estejam alinhadas com as prioridades nacionais, contribuindo para o crescimento económico e social de Cabo Verde.
MC/JMV
Inforpress/Fim
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