Sal Rei, 20 Jul (Inforpress) – A gestora nacional da Fauna e Flora em Cabo Verde defendeu hoje, na Boa Vista, maior transparência nos acordos de pesca em alto mar e a inclusão das comunidades piscatórias e da conservação marinha nas negociações.
Patrícia Rendall falava à margem dos eventos paralelos da V Conferência da Década do Oceano, que decorrem no Centro de Artes e Cultura (CAC), em Sal Rei, reunindo associações de pescadores, autoridades e organizações não-governamentais.
O encontro, promovido no âmbito do projecto Distant Water Fishing (DWF), em parceria com a Confederação Africana das Organizações Profissionais da Pesca Artesanal (CAOPA) e a Rede das Organizações Profissionais da Pesca Artesanal de Cabo Verde (ROPA), pretende recolher contributos dos pescadores para futuras orientações sobre acordos internacionais de pesca, designadamente com a União Europeia e o Japão.
Segundo Patrícia Rendall, as associações de pescadores não contestam a existência destes acordos, mas exigem maior transparência sobre as capturas realizadas, as zonas de pesca, os volumes capturados e a aplicação dos recursos financeiros gerados.
"As associações de pesca afirmaram que não estão contra os acordos, pois reconhecem a sua importância. O que exigem é transparência sobre o que é pescado, onde, em que quantidade e qual a contribuição financeira e de desenvolvimento que chega efectivamente às comunidades", afirmou.
A responsável adiantou que os pescadores defendem igualmente uma reestruturação do sector, considerando insuficientes os apoios pontuais, como a entrega de motores fora de borda ou a reparação de embarcações, e manifestam a ambição de o país vir a dispor de um navio palangreiro industrial para operar além das 12 milhas náuticas.
Durante os debates foi ainda abordada a actividade das frotas estrangeiras nas águas cabo-verdianas, tendo Patrícia Rendall indicado que, em 2025, o número de embarcações japonesas em operação superou o da frota da União Europeia.
A preservação da biodiversidade marinha constituiu outro dos temas centrais, com destaque para a necessidade de reduzir a pesca acessória, responsável pela captura acidental de tartarugas, aves marinhas e tubarões, através da adopção de práticas mais sustentáveis.
Os trabalhos prosseguem terça-feira com sessões dedicadas à gestão e avaliação das Áreas Marinhas Protegidas (AMP), no âmbito do projecto PaMAR.
MGL/JMV
Inforpress/Fim
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