
Cidade da Praia, 03 Jun (Inforpress) – O primeiro-ministro indigitado, Francisco Carvalho, afirmou hoje que o futuro Governo já está definido e será composto por uma equipa escolhida com base na competência, experiência e equilíbrio, visando concretizar o projecto de um “Cabo Verde para todos”.
Francisco Carvalho, que é presidente do PAICV, fez estas declarações à imprensa após a audiência com o Presidente da República, José Maria Neves, no quadro do processo de indigitação do novo primeiro-ministro, saído das eleições legislativas de 17 de Maio.
Ao dirigir-se aos cabo-verdianos residentes no país e na diáspora, Francisco Carvalho considerou que a sua indigitação representa o início de uma nova fase de trabalho voltada para a concretização dos compromissos assumidos perante os eleitores.
“A mensagem que eu gostaria de deixar para todos os cabo-verdianos que estão em Cabo Verde e na diáspora é que agora fui indigitado para construir o Governo da República de Cabo Verde. Agora, sim, trabalho para apresentar um Governo que implemente aquilo que nós estamos a defender, que é um Cabo Verde para todos”, declarou.
Questionado sobre a formação do executivo, o líder do PAICV assegurou que a composição governamental está concluída há algum tempo, embora tenha preferido não divulgar mais pormenores antes da sua apresentação oficial.
Sobre os critérios utilizados na escolha dos futuros governantes, Francisco Carvalho explicou que a preocupação foi reunir perfis capazes de responder aos desafios do país, conciliando experiência e renovação.
“Competência, dedicação, patriotismo, experiência, encontro de diversas gerações, atenção às diversas partes geográficas do país e equilíbrio são os elementos que estiveram na base da construção deste Governo, que também vai implementar esse Cabo Verde para todos”, sublinhou.
Instado a revelar o número de ministros e secretários de Estado, recusou avançar detalhes, argumentando que a composição do executivo deve ser conhecida no seu conjunto e no momento adequado.
Segundo disse, houve igualmente uma preocupação com a dimensão do Governo e com a necessidade de garantir uma estrutura capaz de responder às prioridades do país.
Francisco Carvalho reagiu ainda às declarações do presidente da UCID, considerando que o posicionamento de João Santos Luís ajuda a compreender os resultados eleitorais alcançados por aquele partido, mas reiterou que todas as opiniões devem ser respeitadas em democracia.
“Na democracia, todo o pronunciamento é legítimo. Democracia é liberdade de expressão, é liberdade de pensamento. Toda a gente tem liberdade para se pronunciar, emitir juízos e dar opinião no espaço público. Essa é a essência da democracia”, sustentou.
A audiência com o Chefe de Estado insere-se no processo constitucional de formação do novo Governo, cuja apresentação oficial é aguardada para os próximos dias.
De acordo com os resultados finais das eleições legislativas de 17 de Maio, apresentados pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), o PAICV recebeu 90.660 votos, o Movimento para a Democracia (MpD) obteve 84.458 votos, a União Cabo-Verdiana Independente e Democrática (UCID) alcançou 9.812 votos, enquanto o Partido do Trabalho e da Solidariedade (PTS) reuniu 3.268 votos e o Partido Popular (PP) 529 votos.
A CNE confirmou, assim, a maioria absoluta do PAICV, com 37 dos 72 deputados da Assembleia Nacional.
Na próxima legislatura, com a duração de cinco anos, o MpD terá 33 deputados, enquanto a UCID contará com dois representantes.
O acto eleitoral registou uma abstenção recorde, com mais de metade dos eleitores inscritos a optarem por não votar, correspondendo a uma taxa de abstenção de 53,5%.
O novo parlamento será composto por 38 homens e 34 mulheres.
CM/JMV
Inforpress/Fim
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