Diáspora/Portugal: Cabo-verdiana Maria Borges teme perder tudo em operação no antigo bairro de Santa Filomena

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Diáspora/Portugal: Cabo-verdiana Maria Borges teme perder tudo em operação no antigo bairro de Santa Filomena
01/06/26 - 04:39 pm

Amadora, Lisboa, 01 Jun  (Inforpress) – Maria Borges regressou apressadamente ao antigo bairro de Santa Filomena, na Amadora, depois de ser avisada de que máquinas da câmara municipal estavam a avançar sobre a zona onde viveu durante décadas e onde ainda cultivava uma pequena horta.

Segundo a Lusa, Maria deixou o bairro aos 35 anos, mas manteve ali um espaço de cultivo para consumo próprio, com cana-de-açúcar, feijão, milho e couve, além de alguns utensílios guardados numa pequena estrutura improvisada.

“Foi tudo destruído… como é que vou tirar?”, perguntava, em lágrimas, enquanto apontava para o monte de entulho onde ficaram soterrados panelas de pressão e outros bens que dizia pretender enviar para Cabo Verde.

 

A Agência Lusa acrescenta que a mulher cabo-verdiana, que agora vive numa “casinha” no Casal de São Brás, também no concelho da Amadora, diz ter sido surpreendida pela operação em curso e lamenta não ter sido avisada.

“Está tudo por debaixo dessa coisa, dentro de um armário, está lá tudo”, repetia à Lusa, visivelmente abalada.

No terreno, duas retroescavadoras avançavam durante a manhã na desmatação de terrenos municipais na zona da Estrada Militar, antiga área do bairro de Santa Filomena, operação acompanhada pela polícia municipal.

Os trabalhos, segundo a Câmara Municipal da Amadora, citada pela Lusa, visam “a limpeza, desmatação e requalificação dos terrenos municipais anteriormente ocupados pelo Bairro de Santa Filomena”, sublinhando a autarquia que a intervenção se destina a garantir “salubridade e segurança”.

Contudo, os moradores contestam a falta de informação prévia.

“Não colocaram nenhum aviso, nenhuma informação, e as pessoas foram apanhadas de surpresa”, afirmou a advogada Catarina Morais, que acompanha alguns dos residentes afetados.

Segundo a jurista, pelo menos dois moradores terão perdido habitações construídas de forma precária junto a hortas, situação que diz ilustrar a incerteza sobre o que é ou não considerado construção habitacional.

A Câmara da Amadora, liderada pelo PS, refere que não existem “habitações licenciadas” nas estruturas agora removidas e enquadra a operação como uma intervenção de limpeza de terrenos municipais.

Enquanto as máquinas avançavam, escreve a Lusa, Maria Borges tentava recuperar o que restava da sua horta, mas pouco conseguiu salvar.

“Já não há nada”, resignou-se, olhando para o espaço onde diz ter deixado parte da sua vida.

Inforpress/Fim

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